A escalada militar entre Irã, Israel e Estados Unidos ganhou novos contornos nesta terça-feira (3) após bombardeios atingirem o prédio da Assembleia de Especialistas, órgão responsável por escolher o novo líder supremo iraniano. O ataque ocorreu na cidade sagrada de Qom, ao sul de Teerã, e foi confirmado pela agência iraniana Tasnim, que divulgou imagens mostrando o edifício severamente danificado.
Segundo o jornal israelense The Jerusalem Post, fontes do governo de Israel afirmaram que os 88 aiatolás que integram a assembleia estariam no local no momento do ataque. Até o momento, não há confirmação oficial sobre possíveis vítimas entre os religiosos.
Horas antes, a Força Aérea Israelense havia iniciado uma nova ofensiva sobre Teerã. Em comunicado, o Exército de Israel informou que esta foi a nona onda de ataques contra a capital iraniana desde o início da campanha militar, no sábado (28), classificando as ações como investidas contra a “infraestrutura do regime”. Jornalistas da Agence France-Presse (AFP) relataram ter ouvido fortes explosões na zona norte da cidade.
A ofensiva também alcançou outros pontos estratégicos. O comando militar israelense anunciou “ataques simultâneos” em Teerã e em Beirute, mirando alvos militares iranianos e posições do Hezbollah. Imagens registradas pela AFPTV mostraram uma espessa coluna de fumaça sobre a capital libanesa. Além disso, a imprensa iraniana relatou explosões em Karaj, nas proximidades de Teerã, e em Isfahan, no centro do país, ampliando a percepção de que os bombardeios atingem múltiplas frentes.
Em meio ao avanço das operações, o Crescente Vermelho do Irã divulgou um balanço alarmante. De acordo com a organização humanitária, 787 pessoas morreram desde o início da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel. O número, que não pôde ser verificado de forma independente pela AFP, inclui vítimas registradas em 153 cidades e mais de 500 locais atingidos por mais de mil bombardeios.
O ataque ao prédio da Assembleia de Especialistas adiciona um componente político e simbólico à crise. O órgão desempenha papel central na estrutura de poder iraniana, sendo responsável por eleger e supervisionar o líder supremo, a autoridade máxima do país. O impacto direto sobre essa instituição reforça a dimensão estratégica da ofensiva e amplia as incertezas quanto aos próximos passos do conflito.
Enquanto as explosões continuam ecoando em diferentes regiões, cresce a preocupação internacional diante do risco de uma escalada ainda maior. O confronto, que já ultrapassou a marca de centenas de mortos segundo fontes iranianas, segue sem sinais claros de trégua, aprofundando a instabilidade no Oriente Médio e ampliando seus reflexos políticos e humanitários.
