O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou, nesta quinta-feira, denúncia contra Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro, por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao jogo do bicho. Ela é mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apontado como figura central em atividades de milícia no estado e morto em 2020.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada no Crime Organizado do Ministério Público, Raimunda teria atuado na movimentação e ocultação de recursos oriundos de atividades ilegais exploradas em áreas da Zona Sul do Rio de Janeiro, especialmente em Copacabana. O esquema, segundo os promotores, teria movimentado mais de R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano, em parceria com o bicheiro Bernardo Bello.
A denúncia também atinge outras pessoas ligadas ao grupo, incluindo Julia Lotufo, viúva de Adriano, suspeita de negociar imóveis e propriedades rurais vinculadas ao ex-miliciano. Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas no âmbito da chamada Operação Legado, que resultou ainda na expedição de mandados de prisão e de busca e apreensão.
Raimunda trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a partir de 2015 e, no ano seguinte, passou a integrar o gabinete de Flávio Bolsonaro, à época deputado estadual. Ela permaneceu no cargo até novembro de 2018, período que coincidiu com o surgimento de denúncias relacionadas a um suposto esquema de “rachadinhas”. Outro nome citado naquele contexto foi o de Fabrício Queiroz, apontado como operador financeiro do esquema, que teria recebido repasses de parte dos salários de assessores ligados ao gabinete.
O caso das “rachadinhas” acabou sendo arquivado em 2021 após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que anularam provas por questões processuais, impedindo o julgamento do mérito. À época, a defesa de Flávio Bolsonaro sustentou irregularidades na condução das investigações.
Antes de sua morte, Adriano da Nóbrega chegou a ser homenageado por Flávio Bolsonaro com moções de louvor e a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias concedidas pela Assembleia Legislativa fluminense, em reconhecimento a serviços prestados à segurança pública enquanto ainda integrava a Polícia Militar.
Na nova ofensiva do Ministério Público, os investigadores dividiram as acusações em três frentes: lavagem de dinheiro proveniente do jogo do bicho, atuação de organização criminosa e ocultação de patrimônio. Entre os bens sob análise estão imóveis avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões, que, segundo as apurações, teriam sido adquiridos pelo deputado estadual Juninho do Pneu.
Procurado, Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
