A queda de um avião militar no sul da Colômbia provocou uma das maiores tragédias aéreas recentes no país, com pelo menos 66 mortos e dezenas de feridos. O acidente ocorreu na manhã desta segunda-feira (23), pouco após a decolagem da aeronave nas proximidades de Puerto Leguízamo, região de difícil acesso próxima às fronteiras com Peru e Equador.
O avião, um modelo Hércules C-130 utilizado para transporte de tropas, levava cerca de 125 ocupantes, entre militares e integrantes das forças de segurança. Entre as vítimas estão dezenas de soldados, além de membros da força aérea e policiais. As equipes de resgate seguem atuando na área, marcada por vegetação densa e limitações logísticas que dificultam o socorro às vítimas.
Testemunhas relataram ter ouvido um forte estrondo logo após a decolagem, seguido por uma coluna de fumaça que se ergueu sobre a selva. Imagens registradas por equipes de imprensa mostram destroços em chamas espalhados pela vegetação, evidenciando a intensidade do impacto.
Autoridades locais destacaram os desafios enfrentados no resgate. O aeroporto da região é pequeno e não oferece estrutura adequada para operações de grande porte, o que tem exigido esforços adicionais para transportar feridos e organizar o atendimento emergencial. De acordo com representantes do governo local, dezenas de sobreviventes foram socorridos, alguns em estado grave.
O presidente Gustavo Petro lamentou o ocorrido e classificou o acidente como “horroroso”. Ele também voltou a defender a necessidade de modernização da frota militar do país, em meio a questionamentos sobre as condições operacionais das aeronaves.
Apesar da gravidade do episódio e do histórico de presença de grupos armados na região, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, informou que não há indícios de ataque externo. Segundo ele, explosões ouvidas após a queda foram causadas pela detonação de munições transportadas na aeronave, após o impacto e o incêndio.
O acidente ocorre em uma área estratégica, onde forças da Colômbia e países vizinhos enfrentam o narcotráfico e grupos ilegais. Nos últimos meses, a região tem sido palco de operações militares intensas, o que amplia a atenção sobre as circunstâncias da tragédia.
Este é o segundo acidente envolvendo aeronaves do tipo Hércules na América do Sul em menos de um mês, reacendendo debates sobre segurança e manutenção de equipamentos militares. Enquanto as causas do desastre ainda são investigadas, o país se mobiliza em luto diante da perda de dezenas de vidas e acompanha o trabalho das equipes que seguem em busca de sobreviventes e desaparecidos.
