O hábito de comprar livros ganhou fôlego no Brasil em 2025 e revela um cenário mais promissor para o mercado editorial. De acordo com pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, 18% da população acima de 18 anos adquiriu ao menos um livro no último ano, seja em formato impresso ou digital. O índice representa um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2024, o que equivale a cerca de 3 milhões de novos consumidores.
Para a presidente da CBL, Sevani Matos, o avanço reforça a relevância do livro na sociedade e aponta para um mercado ainda em expansão. Segundo ela, o resultado é fruto de um esforço conjunto que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores e políticas públicas de incentivo à leitura.
O levantamento, que ouviu 16 mil pessoas em outubro de 2025, também revelou os desafios que ainda afastam parte da população do consumo de livros. Entre os que não compraram, cerca de 35 milhões de brasileiros apontaram a falta de livrarias próximas como um obstáculo, enquanto 35% consideram os preços elevados. Há ainda uma parcela significativa que recorre a conteúdos digitais gratuitos, incluindo PDFs, cenário que, segundo especialistas, pode estar relacionado à pirataria.
A coordenadora da pesquisa, Mariana Bueno, observa que esse comportamento indica uma demanda reprimida. Para ela, muitas dessas pessoas continuam lendo, mas fora do mercado formal, o que abre espaço para estratégias que ampliem o acesso legal aos livros.
O perfil do consumidor também ajuda a entender o movimento de crescimento. As mulheres representam 61% do público leitor, com destaque para mulheres negras da classe C, que formam o maior grupo consumidor. Entre os jovens de 18 a 34 anos, o avanço foi ainda mais expressivo, impulsionado principalmente pela influência das redes sociais, que se consolidaram como uma porta de entrada para novos leitores.
Entre os gêneros que mais contribuíram para o aumento das vendas, estão os livros de ficção voltados ao público jovem, além de títulos de colorir, que alcançaram milhões de consumidores. A pesquisa mostra ainda que 56% das compras são influenciadas por redes sociais, enquanto sites de vendas, recomendações pessoais e criadores de conteúdo têm papel decisivo na descoberta de novos títulos.
Mesmo com o crescimento do digital, o livro impresso segue predominante, representando 80% das últimas compras realizadas. As livrarias, por sua vez, mantêm relevância não apenas como ponto de venda, mas como espaço de experiência cultural, onde leitores buscam lazer, conexão e descoberta.
O avanço registrado em 2025 indica que, apesar dos desafios, o livro continua ocupando um lugar importante no cotidiano dos brasileiros. Para especialistas do setor, fortalecer o acesso e valorizar a experiência da leitura serão fatores decisivos para sustentar esse crescimento nos próximos anos.
