A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), tem adotado cautela ao ser questionada sobre o cenário presidencial de 2026. Em duas ocasiões recentes, a gestora evitou afirmar se apoiará a pré-candidatura do também correligionário Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República, mantendo uma postura de neutralidade que já começa a repercutir no ambiente político estadual e nacional.
A mais recente declaração ocorreu nesta terça-feira (31), durante evento no Recife, quando a governadora participou do lançamento do Programa 197 Mulher e da entrega da requalificação da 1ª Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro. Questionada por jornalistas sobre o tema, ela preferiu não se posicionar. No dia anterior, durante a assinatura de um termo de fomento para Cozinhas Solidárias, a pergunta já havia sido feita, mas novamente sem uma resposta direta.
O nome de Caiado foi oficialmente lançado como pré-candidato à Presidência na segunda-feira (30), com o aval do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Apesar disso, o movimento não tem encontrado adesão automática dentro do partido, especialmente entre lideranças do Nordeste.
Enquanto isso, o cenário político em Pernambuco ganha contornos mais definidos. A governadora, que deve disputar a reeleição, tende a enfrentar como principal adversário o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Diferentemente de Raquel, João tem adotado um discurso direto sobre o cenário nacional e já declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante evento voltado ao fortalecimento da Guarda Municipal, realizado também na segunda-feira (30), João Campos fez questão de destacar sua posição política, em uma fala interpretada como indireta à governadora. Segundo ele, não há espaço para indecisão quando se trata de alinhamento partidário. “Se eu fosse de um partido e tivesse um candidato do meu partido, eu iria votar nele”, afirmou, reforçando que seu apoio a Lula foi definido desde que assumiu a presidência nacional do PSB.
A hesitação de Raquel Lyra não é um caso isolado dentro do PSD. O lançamento da pré-candidatura de Caiado não contou com a presença de lideranças do partido nos nove estados nordestinos, evidenciando um possível desalinhamento interno. Um exemplo é o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), que já comunicou a Kassab que não apoiará o projeto presidencial do colega de legenda, mantendo sua proximidade política com o governo Lula.
Diante desse cenário, a postura reservada de Raquel Lyra pode indicar uma estratégia de equilíbrio político, especialmente em um estado onde o eleitorado tem demonstrado forte conexão com o governo federal. Ao evitar se comprometer neste momento, a governadora preserva margens de articulação tanto no plano estadual quanto nacional, enquanto o tabuleiro político segue em movimento rumo às eleições.
