Nos corredores do Paço das Heroínas de Tejucupapo, sede do poder executivo de Goiana, um tema tem dominado as conversas em voz baixa: a decisão de Eduardo Honório de entrar na disputa para deputado federal. A movimentação, segundo aliados, contraria o que teria sido previamente combinado com Marcílio Régio – que, ao que tudo indica, vem cumprindo exatamente o que foi acertado.
O ambiente é de desconforto. Nada declarado oficialmente, mas perceptível nos bastidores.
Entre aliados, a inquietação cresce e uma questão começa a ganhar força: se Marcílio honrou o que foi pactuado, por que Eduardo estaria mudando agora o combinado? A palavra de Honório mudou?
Relatos de interlocutores próximos à gestão apontam que o entendimento firmado ainda na campanha não se limitava à divisão de espaços na administração – com secretarias e indicações estratégicas asseguradas a Eduardo – mas incluía um compromisso político explícito: ele não disputaria mandato de deputado seja federal ou estadual iria apoiar os definidos por Marcilio, que por sinal foram escolhidos nos primeiros dias de Governo. Em mais de uma ocasião, afirmam, o próprio Honório teria garantido que não seria candidato.
Mesmo assim, o cenário se alterou.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que, enquanto Marcílio segue respeitando o que foi combinado, a decisão de Eduardo de avançar com a pré-candidatura representa, sim, um ponto de inflexão. Alguns consideram um rompimento de um pacto central para a estabilidade do grupo; outros ainda tentam relativizar. “Se havia um acordo e uma das partes cumpre, o que significa quando a outra decide mudar de rota?”, indaga, em off, os aliados que acompanham de perto as articulações.
Não é a primeira vez que o comportamento de Honório gera questionamentos. Durante a eleição interina, ele precisou da articulação de João Campos, então aliado político central naquele momento de campanha, para fortalecer sua posição. João se colocou à disposição, abriu espaço e ajudou a construir o caminho que hoje sustenta o grupo no poder.
Agora, porém, o movimento de Eduardo é em outra direção: em vez de manter alinhamento com João, ele se posiciona ao lado de Raquel. A mudança de eixo político, somada à quebra do combinado sobre não disputar mandato de deputado, reforça, entre aliados de Marcílio, a sensação de que Eduardo vem redesenhando seus compromissos conforme a conveniência. A dúvida volta com mais força: trata-se de um caso isolado ou de um padrão de comportamento?
Com Marcílio Régio já à frente da prefeitura, novas conversas teriam sido realizadas para reafirmar o acordo original e afastar qualquer ruído futuro. O objetivo, garantem aliados de Marcílio, é justamente evitar o tipo de crise que começa a tomar corpo agora.
Por enquanto, o silêncio público de todas as partes contrasta com a crescente inquietação interna. E uma pergunta, repetida nos corredores do Paço, continua sem resposta clara: se Marcílio fez a sua parte e manteve o combinado, por que o outro lado parece disposto a testar os limites desse acordo? O pacto foi rompido de vez ou ainda há quem acredite em recomposição?
