Registros oficiais de aviação trouxeram novos elementos que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal em viagens realizadas por meio de aeronaves privadas. Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), revelados pela Folha de S.Paulo, indicam que o ministro Dias Toffoli utilizou, em julho de 2025, um avião pertencente à empresa Prime Aviation, que tinha entre seus sócios o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo os registros, Toffoli acessou o terminal executivo do aeroporto de Brasília na manhã do dia 4 de julho, e poucos minutos depois uma aeronave da empresa decolou com destino a Marília, cidade natal do ministro. No mesmo dia, houve deslocamento de seguranças para uma região no Paraná onde está localizado um resort ligado ao magistrado, ampliando as suspeitas sobre o contexto da viagem. Procurados, tanto o ministro quanto a defesa de Vorcaro não se manifestaram.
A apuração aponta ainda que, ao longo de 2025, Dias Toffoli teria utilizado o terminal de voos executivos em ao menos dez ocasiões. Em parte desses registros, o cruzamento de dados indica o uso de aeronaves associadas a empresários, o que levanta questionamentos sobre a natureza dessas viagens e eventuais vínculos indiretos.
O caso ganha ainda mais repercussão ao envolver estruturas financeiras ligadas ao mesmo grupo empresarial. Investigações citam a participação de fundos que teriam conexão com o resort relacionado ao ministro, incluindo movimentações envolvendo o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. As informações também dialogam com apurações conduzidas pela Polícia Federal no chamado caso Master, no qual Toffoli atuava como relator antes de deixar a função, posteriormente assumida por André Mendonça.
Outro ponto revelado envolve o ministro Alexandre de Moraes, que, segundo reportagens, também teria utilizado aeronaves vinculadas à mesma empresa em diferentes ocasiões, acompanhado de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. O gabinete do ministro negou qualquer relação direta com Vorcaro ou seu cunhado, classificando as informações como ilações. Já a defesa de Viviane afirmou que serviços de táxi aéreo são contratados regularmente, incluindo empresas como a Prime Aviation, sem vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves.
Diante das revelações, o episódio amplia o debate sobre transparência e possíveis conflitos de interesse envolvendo integrantes do Judiciário, especialmente quando há conexões indiretas com empresários e investigações em curso, o que tende a manter o caso sob atenção pública nos próximos desdobramentos.
