Pernambuco já viu esse filme. Muda o elenco, troca o figurino, mas o roteiro insiste em se repetir: quem governa acha que a caneta resolve, quem quer chegar acha que a fala convence — e o eleitor, no meio disso, decide no detalhe, quase sempre contrariando as certezas de ambos.
Raquel Lyra entra na disputa com aquilo que, historicamente, sempre foi tratado como trunfo definitivo: o governo na mão. Estrutura, agenda, capacidade de chegar nos municípios e influenciar o ambiente político. Tudo isso pesa. Sempre pesou.
O problema é quando se confunde presença institucional com entusiasmo eleitoral. Uma coisa não garante a outra — e Pernambuco já derrubou mais de um projeto que apostou alto demais nessa equação.
Do outro lado, João Campos se movimenta como quem entendeu o espírito do tempo. Comunicação afiada, imagem construída e uma habilidade clara de marcar presença. É o tipo de projeto que cresce antes mesmo de oficializar. Mas há um detalhe que costuma aparecer mais cedo ou mais tarde: crescer no desejo é uma etapa; sustentar no confronto é outra bem diferente. Quando a campanha endurece, o discurso precisa entregar mais do que simpatia.
E no canto do palco, quase sempre tratado como coadjuvante — mas nunca completamente irrelevante — está Ivan Moraes. Representa um campo que não embarca nem em um nem em outro, tensiona o debate e levanta temas que os dois lados prefeririam contornar. O problema é velho conhecido: faz barulho, mas ainda não conseguiu transformar esse barulho em volume de voto.
O que se vê hoje é uma disputa polarizada e curiosa: dois projetos que parecem fortes quando olhados de perto, mas que também revelam fragilidades quando observados com calma.
Raquel tem a máquina — mas precisa provar que ela engaja, não apenas funciona.
João tem o discurso — mas precisa mostrar que ele sustenta, não apenas encanta.
Nenhum dos dois pode se dar ao luxo de errar onde acha que é mais forte. E, historicamente, é exatamente aí que as campanhas em Pernambuco costumam tropeçar. No fim, a eleição que se desenha não é sobre quem tem mais força acumulada, mas sobre quem comete menos erros ao longo do caminho.
COMPROU A BRIGA
O vereador Alexandre Carvalho (UB) tem subido o tom contra as constantes quedas no fornecimento de energia em Goiana, sob responsabilidade da Neoenergia (antiga Celpe). Carvalho defende que o debate avance, tanto na cobrança por melhorias no serviço quanto na revisão das tarifas praticadas.
MARCOU PRESENÇA
No último sábado (04), o Avante, sob liderança de Sebastião Oliveira, reuniu diversas lideranças políticas em um almoço que serviu para reafirmar apoio à governadora Raquel Lyra e ao nome de Túlio Gadêlha para o Senado. O presidente da Câmara de Goiana e pré-candidato a deputado estadual, Eduardo Batista, participou do encontro e posou para fotos.
CONFRARIA DO UCHÔA
O deputado federal Guilherme Uchôa Júnior reuniu, neste fim de semana, lideranças políticas de várias regiões do estado em Gravatá, em um encontro marcado pela descontração. Entre os presentes, estavam vereadores, vice-prefeitos, ex-prefeitos e prefeitos, como Marcílio Régio, a primeira-dama Ana Silveira e a vice-prefeita Licia Maciel.
TENSÃO À VISTA
Passado o feriadão da Páscoa, a semana promete esquentar a política goianense. Nos bastidores da Prefeitura de Goiana e também na Câmara Municipal, há expectativa de revelações, movimentações e mudanças no tabuleiro do poder. É aguardar.
LEILÃO SILENCIOSO
Tem chamado atenção nos bastidores o verdadeiro “varejo político” protagonizado por alguns deputados estaduais junto a lideranças de Goiana, numa tentativa clara de abocanhar fatias do eleitorado. O movimento é tão intenso que já tem suplente de vereador sendo tratado como ativo valioso — cotado a preço de ouro nos corredores da política.
