O rompimento entre o prefeito de Goiana, Marcílio Régio, e o ex-prefeito Eduardo Honório começa a sair do campo político e atingir diretamente a estrutura da gestão municipal. Nos bastidores, a leitura é direta: a quebra de acordo abriu uma crise que agora deve resultar na saída de nomes ligados a Honório dentro da prefeitura — e já levanta, inclusive, suspeitas de reflexos na própria máquina pública.
Segundo fontes com acesso ao núcleo do governo, o entendimento que sustentava a aliança previa alinhamento político e respeito às decisões coletivas do grupo. Esse cenário teria sido desfeito quando Honório decidiu seguir outro caminho, contrariando o que havia sido previamente ajustado. A partir daí, a permanência de seus indicados passou a ser vista como incompatível com o novo momento político da gestão. “Ele rompeu o que foi combinado. Não tem como manter dentro do governo pessoas que representam um projeto que deixou de existir”, afirmou um interlocutor próximo ao prefeito.
A chamada “faxina política” já é tratada como movimento natural dentro desse novo cenário e deve atingir diretamente quadros identificados com o ex-prefeito. Entre os nomes mais citados estão Eliane Silva, responsável por Serviços Públicos; Ítalo Coco, à frente da pasta de Turismo e Cultura; e Gilberto Miranda, presidente da AD Goiana — todos apontados como indicações de Honório e agora sob forte pressão nos bastidores.
Além da discussão política, começa a ganhar força entre aliados da gestão um sentimento mais delicado: o de que áreas comandadas por indicados de Honório estariam sofrendo desgaste proposital ou, no mínimo, perda acentuada de desempenho. Nos bastidores, há quem vá além e fale, de forma reservada, até em “boicote” na condução de alguns serviços.
O exemplo mais citado é justamente a Secretaria de Serviços Públicos, onde, segundo relatos, houve uma queda brusca na qualidade dos serviços prestados à população nas últimas semanas, aumentando ainda mais a pressão por mudanças imediatas na equipe.
“Não é só política. Quando o serviço começa a cair, a conta chega na gestão. E isso pesa”, disse outra fonte.
O movimento não deve se limitar ao primeiro escalão. A tendência, segundo relatos, é de que cargos de segundo e terceiro níveis, além de comissionados ligados ao grupo político do ex-prefeito, também sejam impactados, num processo de reorganização interna que busca alinhar a gestão ao novo cenário político. Apesar do clima de tensão, há uma exceção relevante. A área da Saúde, historicamente ligada ao grupo de Honório, deve permanecer alinhada com a gestão de Marcílio. Isso porque a vice-prefeita Lícia Maciel, indicação do ex-prefeito, tende a seguir ao lado do atual gestor, garantindo estabilidade em um setor considerado estratégico.
Com a base em alerta e o ambiente político tensionado, a expectativa gira em torno das primeiras exonerações. Mais do que uma simples troca administrativa, o movimento é interpretado como resposta direta à quebra de acordo — e como um recado claro de que, em Goiana, decisões políticas têm efeito imediato na estrutura de poder.
