Com o encerramento da janela partidária, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha bateu o martelo sobre seu futuro político e confirmou que disputará uma vaga de deputado federal pelo Minas Gerais pelo partido Republicanos. A decisão, segundo ele, levou em conta a permanência na legenda e a ausência de uma composição considerada mais vantajosa para a disputa eleitoral.
A movimentação ocorre em meio a tensões internas no campo político mineiro. Cunha mantém um histórico de embates com o senador Cleitinho Azevedo, também filiado ao Republicanos e cotado para disputar o governo estadual. As divergências entre os dois se intensificaram no último ano, quando o ex-deputado acionou o Supremo Tribunal Federal após ser alvo de ofensas públicas durante um ato político em Belo Horizonte.
De olho no retorno ao Congresso, Cunha tem investido na construção de uma base política em Minas. Em diferentes frentes, ele ampliou sua presença no estado, participando de eventos ligados ao agronegócio, frequentando cultos religiosos e até adquirindo emissoras de rádio em cidades do interior, numa tentativa de consolidar apoio regional.
Ao justificar a escolha por Minas Gerais, o ex-presidente da Câmara destaca o peso estratégico do estado no cenário nacional. Segundo ele, a diversidade econômica e social mineira faz com que o território funcione como um “espelho do Brasil”, além de historicamente refletir os resultados das eleições presidenciais. O argumento se sustenta, por exemplo, no equilíbrio observado no último pleito, quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu Jair Bolsonaro por margem apertada tanto no estado quanto no resultado nacional.
Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, o que reforça a aposta de Cunha em um território considerado decisivo para qualquer projeto político. O ex-deputado afirma que pretende “recolocar o estado no centro do debate nacional” e resgatar sua relevância no cenário político.
A trajetória recente de Cunha inclui uma tentativa frustrada de retorno em 2022, quando concorreu por São Paulo e obteve votação modesta. Antes disso, ele construiu sua carreira política no Rio de Janeiro, onde foi eleito deputado federal por quatro mandatos consecutivos. Atualmente, seu espaço político no estado é ocupado por sua filha, Dani Cunha, eleita em 2022.
A nova aposta em Minas Gerais representa mais uma tentativa de retorno ao protagonismo político nacional, após anos marcados por controvérsias e pelo afastamento do mandato, resultado de desdobramentos da Operação Lava Jato.
