Pressionado pelo desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais, o Partido dos Trabalhadores redesenha sua estratégia para 2026 e deve lançar o menor número de candidatos a governador em anos recentes. Até o momento, a legenda trabalha com apenas nove nomes próprios nos estados, priorizando a construção de alianças para fortalecer o projeto de reeleição presidencial.
Com o fim da janela partidária e do prazo de desincompatibilização, o cenário político ganha novo ritmo, impulsionando negociações que já indicam uma mudança de postura do partido. Em vez de disputar diretamente o comando dos estados, o PT tem optado por ceder espaço a aliados de centro e centro-esquerda, especialmente em regiões onde enfrenta maior resistência eleitoral, como o Sul do país. Internamente, dirigentes reconhecem que a meta é reduzir perdas em relação a 2022 e evitar impactos negativos na campanha nacional.
A estratégia inclui apoiar candidaturas de outras siglas em estados-chave. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o partido deve abrir mão da candidatura própria para apoiar Juliana Brizola, do PDT, enquanto Paulo Pimenta será o nome ao Senado. Em Paraná, o apoio tende a ir para Requião Filho, também do PDT, com Gleisi Hoffmann buscando uma vaga no Senado. Já em Santa Catarina, o foco será a candidatura de Décio Lima à Câmara Alta.
O movimento se repete em outros grandes colégios eleitorais. No Rio de Janeiro, o partido deve apoiar Eduardo Paes, enquanto em Minas Gerais há articulações para viabilizar a candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo. Em Pernambuco, a aliança será com o prefeito do Recife, João Campos, e, no Pará, com a vice-governadora Hana Ghassan. A aproximação com o PSD também se mantém em estados como Amazonas e Sergipe.
Nos bastidores, lideranças petistas admitem que o foco central deixou de ser a eleição de governadores e passou a ser a recondução de Lula ao Planalto. A avaliação é que ampliar a base de apoio, mesmo que à custa de candidaturas próprias, pode garantir melhor desempenho nacional. Ao mesmo tempo, o Senado ganhou protagonismo na estratégia, diante do receio de avanço da oposição na próxima legislatura.
A decisão, no entanto, não é unânime dentro do partido. Setores críticos alertam que a redução de candidaturas pode enfraquecer a formação da bancada federal e limitar o surgimento de novas lideranças regionais. Já os defensores da linha adotada argumentam que Lula segue como principal cabo eleitoral da legenda, com potencial de puxar votos para deputados e senadores.
O PT também concentra esforços na manutenção de seus atuais redutos, como Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, embora enfrente desafios em alguns desses estados. Paralelamente, mira São Paulo, onde o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve enfrentar o governador Tarcísio de Freitas em uma disputa considerada difícil, mas estratégica.
A reconfiguração do partido reflete um cálculo político que privilegia a disputa presidencial como eixo central. Ao reduzir o número de candidaturas próprias — bem abaixo das 24 registradas em 2002 — o PT aposta que alianças amplas podem ser decisivas para enfrentar a polarização e garantir competitividade no cenário nacional.
