O Kremlin afirmou que uma possível paz duradoura na guerra da Ucrânia poderia ter início imediato, caso o presidente Volodimir Zelenski tome o que chamou de “decisões apropriadas”. A declaração foi feita pelo porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, em meio ao anúncio de um cessar-fogo temporário durante o período da Páscoa.
Segundo Peskov, a posição da Kremlin segue alinhada ao que já foi defendido pelo presidente Vladimir Putin: a busca não seria por uma trégua pontual, mas por um acordo amplo e sustentável. A fala reforça a estratégia russa de condicionar avanços diplomáticos a decisões políticas da liderança ucraniana.
O cessar-fogo anunciado por Moscou terá duração limitada, começando às 16h do dia 11 de abril e se estendendo até o fim de 12 de abril, no horário local. De acordo com o governo russo, a medida tem caráter estritamente humanitário e está ligada ao significado religioso da Páscoa, data considerada sagrada tanto para russos quanto para ucranianos.
Ainda assim, o Kremlin demonstrou cautela quanto à efetividade da trégua. Peskov afirmou que a Rússia tomou conhecimento da sinalização de Kiev de que seguiria a mesma iniciativa, mas lembrou que episódios anteriores de cessar-fogo teriam sido descumpridos, segundo a visão de Moscou. Nesse contexto, voltou a enfatizar que uma solução definitiva para o conflito depende de decisões políticas mais amplas por parte da Ucrânia.
No cenário internacional, o porta-voz também comentou a visita de Kirill Dmitriev aos Estados Unidos. Ele confirmou a viagem, mas destacou que a agenda não envolve negociações sobre o conflito, sendo voltada exclusivamente para temas econômicos e possíveis caminhos de cooperação bilateral.
As declarações ocorrem em um momento de continuidade das tensões no leste europeu, enquanto iniciativas diplomáticas seguem enfrentando entraves em busca de um acordo que ponha fim ao conflito.
