O policial militar reformado Fabrício Queiroz, conhecido por ter sido peça central nas investigações sobre o caso das “rachadinhas”, segue exercendo influência em espaços públicos quase uma década após o escândalo vir à tona. Atualmente, ele ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública em Saquarema, na Região dos Lagos, função assumida no último ano com apoio de aliados políticos ligados ao senador Flávio Bolsonaro.
A nomeação teria sido resultado de articulações políticas envolvendo lideranças locais, incluindo o ex-prefeito Antonio Peres, aliado de figuras influentes do PL no estado. Antes disso, tentativas de acomodar Queiroz em outros municípios não avançaram.
Além de ocupar espaço na administração municipal, Queiroz também ampliou sua presença política ao emplacar o filho, Felipe, como assessor na Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, pasta comandada pelo deputado Anderson Moraes.
Na estrutura da segurança pública local, Queiroz passou a desempenhar papel ativo, supervisionando ações da Guarda Municipal e participando de agendas institucionais ao lado de autoridades. Em eventos recentes, esteve ao lado do ex-governador Cláudio Castro e de outros representantes políticos em agendas voltadas à área de segurança.
Mesmo após o arquivamento do caso na esfera criminal pela Justiça do Rio de Janeiro, a trajetória de Queiroz continua associada às investigações conduzidas pelo Ministério Público sobre a suposta prática de recolhimento irregular de salários de assessores durante o período em que atuava na Assembleia Legislativa do estado. À época, o caso ganhou repercussão nacional e envolveu diretamente o nome de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, aliados avaliam que a atual posição em Saquarema contribui para dar estabilidade ao ex-assessor, que chegou a disputar uma vaga como vereador em 2024, ficando como suplente. Durante a campanha, inclusive, recebeu apoio público de Flávio, que o apresentou como um de seus aliados políticos na cidade.
Procurado para comentar sua atuação, Queiroz afirmou que evita entrevistas por se tratar de ano eleitoral, temendo possíveis impactos sobre sua permanência no cargo. Já a prefeitura de Saquarema informou, em nota, que a nomeação seguiu critérios técnicos, destacando a experiência do ex-policial militar na área de segurança pública.
O caso evidencia como figuras envolvidas em investigações de grande repercussão continuam a exercer influência política, especialmente em contextos locais, onde articulações partidárias e relações pessoais ainda desempenham papel decisivo.
