Uma pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha nesta segunda-feira (13) revela que mais da metade da população brasileira acredita que ministros do Supremo Tribunal Federal estejam envolvidos no escândalo relacionado ao Banco Master. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados apontam possível ligação dos magistrados com o caso, enquanto apenas 4% descartam essa hipótese. Outros 10% afirmaram não saber opinar.
O estudo também indica que o tema já alcançou grande visibilidade nacional. Cerca de 70% dos entrevistados disseram ter conhecimento ou ao menos já terem ouvido falar sobre as denúncias envolvendo fraudes financeiras atribuídas ao banco e sua relação com figuras públicas. Por outro lado, 30% afirmaram desconhecer o assunto.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril, em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de vínculos entre o banco e pessoas próximas a integrantes da Corte. Um dos episódios envolve o ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, manteve contrato com a instituição. Também vieram à tona trocas de mensagens entre o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, no período da primeira prisão do banqueiro, no ano passado.
Outro nome citado é o do ministro Dias Toffoli, que se declarou impedido de atuar em processos relacionados ao caso após a revelação de que uma empresa da qual é sócio teria recebido recursos de um fundo ligado ao banco.
O escândalo também menciona repasses financeiros envolvendo empresas como a JBS, que, junto ao Banco Master, teria destinado valores milionários a uma consultoria que realizou pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques.
Em meio à repercussão, cresce a pressão política sobre a Corte. Atualmente, 97 pedidos de impeachment contra ministros do STF aguardam análise no Senado, sendo 11 protocolados apenas neste ano — seis contra Alexandre de Moraes e cinco contra Dias Toffoli.
Dentro do próprio tribunal, o cenário é visto como delicado. Uma das alternativas em discussão para conter o desgaste institucional é a criação de um código de conduta para ministros de tribunais superiores. O presidente da Corte, Edson Fachin, já sinalizou que estuda modelos internacionais para adaptar regras de ética à realidade brasileira, numa tentativa de reduzir a desconfiança pública e reforçar a credibilidade do Judiciário.
