O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a considerar uma mudança significativa na forma como escolhe seus indicados ao Supremo Tribunal Federal. A reflexão ocorre após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado, episódio que marcou a maior derrota política do governo no Congresso até agora.
De acordo com aliados, Lula avalia ampliar o leque de opções e deixar em segundo plano o critério de proximidade pessoal, que vinha orientando suas escolhas no atual mandato. Até então, o presidente havia priorizado nomes de confiança direta, como Cristiano Zanin, seu advogado durante a Operação Lava-Jato, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça, além do próprio Jorge Messias.
A rejeição no Senado levou o Planalto a recalibrar a estratégia para evitar novos impasses na Casa. A expectativa é que o próximo indicado reúna não apenas alinhamento com o campo progressista, mas também maior capacidade de articulação política e aceitação entre os parlamentares.
Mesmo diante da mudança de abordagem, interlocutores afirmam que Lula não pretende abrir mão da palavra final na escolha. A decisão continua sendo tratada como pessoal pelo presidente, embora agora com maior atenção ao cenário político e à necessidade de viabilizar a aprovação do nome.
Entre as possibilidades em análise, também está a indicação de uma mulher para a Corte, hipótese defendida por setores aliados, embora ainda não haja um nome consolidado. Por outro lado, a recondução de Jorge Messias é considerada improvável, já que poderia acirrar a relação com o Congresso, especialmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Enquanto o tema segue em aberto, Lula deve retomar as discussões após compromissos internacionais. Nesta semana, o foco do presidente está voltado para uma viagem aos Estados Unidos, onde tem encontro previsto com o presidente Donald Trump. A expectativa é que, no retorno, o Palácio do Planalto avance nas articulações para definir o novo nome a ser enviado ao Senado.
