O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, a suspensão por dois meses dos mandatos dos deputados Marcel Van Hattem, Zé Trovão e Marcos Pollon. A decisão se refere à participação dos parlamentares na ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, ocorrida em agosto do ano passado.
A punição foi aprovada com base no parecer do relator Moses Rodrigues, que considerou a conduta dos três como quebra de decoro parlamentar. O episódio, à época, foi interpretado como um desafio direto à autoridade do presidente da Casa, Hugo Motta, ao impedir a condução dos trabalhos no plenário.
A sessão que analisou o caso se estendeu por mais de oito horas e foi marcada por embates entre parlamentares da oposição e da base governista. Durante os debates, os deputados acusados classificaram a punição como injusta e denunciaram perseguição política. Zé Trovão chegou a se emocionar ao discursar, afirmando que a decisão impactaria não apenas seu mandato, mas também famílias de pessoas ligadas ao seu gabinete.
O caso teve origem em representações que apontaram quebra de decoro durante um protesto realizado em 6 de agosto de 2025, quando os parlamentares ocuparam a Mesa Diretora em defesa da votação de um projeto de anistia. Segundo o relatório, a ação teria interferido diretamente no andamento das atividades legislativas.
De acordo com os registros analisados, Marcos Pollon teria se sentado na cadeira da presidência da Câmara, enquanto Marcel Van Hattem ocupou outro espaço na Mesa, dificultando o acesso de Hugo Motta. Já Zé Trovão é acusado de ter bloqueado fisicamente a subida do presidente ao local.
Os três parlamentares negam irregularidades e sustentam que o ato foi um protesto político legítimo, amparado pela imunidade parlamentar e pelo direito de manifestação. Durante a sessão, também houve momentos de tensão, incluindo um desentendimento envolvendo o deputado Chico Alencar e o advogado Jeffrey Chiquini, que levou à intervenção da Polícia Legislativa.
A decisão ainda pode ser contestada na Comissão de Constituição e Justiça e, posteriormente, submetida ao plenário da Câmara, que terá a palavra final sobre a aplicação da penalidade.
