O cineasta espanhol Pedro Almodóvar causou repercussão no Festival de Cannes ao fazer duras críticas aos líderes Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin. Durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (20), o diretor classificou os três governantes como “monstros” e afirmou que a Europa precisa atuar como uma barreira contra políticas que considera perigosas.
Almodóvar, que disputa a Palma de Ouro com o longa “Natal Amargo”, apareceu usando um broche com a frase “Free Palestine”, em referência ao conflito no Oriente Médio. Ao comentar o cenário internacional, o diretor afirmou que os países europeus têm a obrigação moral de defender as leis internacionais e resistir ao que chamou de “delírios” políticos.
Segundo o cineasta, a Europa não deve se submeter às decisões ou posicionamentos de Trump. Em tom crítico, ele afirmou que o presidente norte-americano precisa entender que existem limites para suas ações e discursos.
O diretor espanhol também defendeu que artistas usem a visibilidade pública para se posicionar diante de crises globais. Para Almodóvar, é dever moral de quem possui espaço de fala abordar temas considerados graves e denunciar situações que afetam a humanidade.
As declarações reforçam um clima político que já vinha marcando a edição deste ano do Festival de Cannes. Nos últimos dias, o ator espanhol Javier Bardem, protagonista de outro filme na competição oficial, também criticou Trump, Netanyahu e Putin, associando os três líderes ao que chamou de “masculinidade tóxica” responsável por milhares de mortes ao redor do mundo.
Aos 76 anos, Pedro Almodóvar disputa a Palma de Ouro pela sétima vez. Apesar do reconhecimento internacional e de possuir dois Oscars, além do Leão de Ouro da Mostra de Veneza, o diretor ainda busca conquistar o principal prêmio de Cannes.
Responsável por filmes consagrados como Tudo Sobre Minha Mãe e Volver, o cineasta afirmou que nunca chega ao festival acreditando que sairá vencedor. Segundo ele, o resultado da competição depende da diversidade de opiniões dentro do júri responsável pela escolha da Palma de Ouro.
