A disputa entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) ganhou um novo capítulo neste fim de semana, com blogs, perfis políticos, publicidade oficial e recursos públicos no centro das discussões.
No campo ligado à governadora, reportagem do Metrópoles apontou que uma empresa ligada a Amisadai Andrade da Silva recebeu R$ 642,5 mil do Governo de Pernambuco entre 2023 e 2026. Desse total, R$ 186,4 mil foram pagos entre janeiro e agosto deste ano. Amisadai foi citado em uma denúncia sobre uma suposta estrutura digital de ataques contra João Campos e acabou exonerado após a repercussão. Raquel Lyra nega envolvimento e afirma que não trabalha dessa forma.
Do outro lado, uma investigação divulgada neste domingo apontou perfis favoráveis a João Campos administrados ou relacionados a pessoas com vínculos com a Prefeitura do Recife e o PSB. Entre os citados estão um servidor da Prefeitura e um ex-secretário executivo da gestão João Campos, atualmente na secretaria-geral do PSB estadual.
A apuração também mencionou uma rede de conteúdos favoráveis ao prefeito e críticos a Raquel, envolvendo o Blog do Magno, o perfil João Campos Platinado e outras contas. Os documentos, contudo, não comprovam que João Campos tenha comandado pessoalmente a estrutura.
A publicidade da Prefeitura do Recife também entrou no debate. Documentos de uma campanha turística listaram 84 blogs e perfis de 14 municípios pernambucanos. A relação não informa quanto cada veículo recebeu, embora inclua nomes com atuação política crítica à governadora.
Outro episódio envolve o Portal Ricardo Antunes, acusado de receber mais de R$ 1 milhão do Governo de Pernambuco para atacar João Campos. O portal nega a acusação e afirma que os pagamentos estão relacionados a publicidade e aos Seminários Facto, realizados durante 31 meses de contrato.
Diante das acusações dos dois lados, a Justiça Eleitoral também entrou em cena. Neste domingo, o TRE-PE determinou a retirada de publicações que associavam Raquel Lyra a um suposto “gabinete do ódio”, por considerar que suspeitas ainda não comprovadas estavam sendo apresentadas como fatos.
Com a eleição de 2026 se aproximando, a disputa pelo controle da narrativa nas redes ganha cada vez mais espaço. No centro do debate estão os valores pagos, os critérios de contratação e os vínculos entre comunicação, governos e grupos políticos em Pernambuco.



