O candidato ao Governo de Pernambuco pela Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes (PSOL), participou da sabatina da Rádio Folha 96,7 FM, conduzida pelo apresentador Jota Batista e pela colunista Betânia Santana, debatendo temas como saúde, educação, infraestrutura, economia, cultura, política partidária e segurança pública.
Ivan apresentou propostas para mudar a forma como o estado trata a cultura. Ele defende que o setor deixe de ser visto apenas pela perspectiva da realização de eventos e passe a ocupar um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social de Pernambuco, alcançando permanentemente trabalhadores, grupos e manifestações culturais de todo o território.
Ivan defende fortalecimento do Funcultura
Na avaliação de Ivan Moraes, governos de diferentes períodos não trataram a cultura como uma política central para o desenvolvimento de Pernambuco. “Historicamente, Raquel Lyra, Paulo Câmara, Eduardo Campos, João Lyra… ninguém viu cultura como central para o desenvolvimento de Pernambuco. Ninguém”, afirmou o candidato.
Ivan citou o Funcultura como um importante avanço, mas criticou a falta de crescimento real dos recursos destinados ao programa ao longo dos últimos anos. “Nas últimas décadas, o Funcultura não aumenta em itens nominais. Fica ali entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões todos os anos, há mais de 10 anos. É uma política que não está escalando.”
Ivan também criticou as condições de funcionamento da Fundarpe e apontou a precarização do trabalho de profissionais envolvidos na execução das políticas culturais. Segundo ele, o Estado precisa superar a lógica de concentrar recursos na realização de grandes eventos e ampliar o investimento na cadeia produtiva da cultura.
“A Fundarpe tá sucateada, funciona com poucos funcionários terceirizados que na época de festejos viram a noite, não ganham hora extra direito. A empresa às vezes fecha e não repassa [o pagamento dos funcionários], aí tem que passar pra outra empresa. Hoje, política de cultura é isso. Eu quero tirar o estado de ser um produtor de eventos, apenas. O estado hoje é um produtor de eventos, assim como a Prefeitura do Recife também é produtora de eventos, 70%, 80% dos recursos indo pra produção de eventos”, explicou o pessolista.
O candidato citou ainda levantamento do observatório De Olho nos Ruralistas sobre contratos de shows realizados por estados e municípios brasileiros. Segundo os dados mencionados por Ivan, Pernambuco teria destinado R$ 57 milhões, em dois anos, para 25 artistas.
Cultura todo dia
Para o ex-vereador, é necessário reequilibrar a política pública para que os recursos também garantam a sobrevivência e a manutenção permanente das manifestações culturais. Ivan Moraes também defendeu uma visão da cultura que considere seus impactos sobre outros setores da economia. Para ele, a manutenção das manifestações culturais nos territórios movimenta o comércio local, fortalece o turismo e contribui para a ocupação dos espaços públicos.
“Eu quero, primeiro, aumentar esse recurso entendendo que dá pra pelo menos triplicar com o dinheiro que a gente já tem. Pra começar: 400 brinquedos da cultura popular espalhados por Pernambuco. O governo do estado conhece mais de mil. Não são agremiações que estão escondidas, nós as conhecemos, tanto que as contratamos – por uma miséria, mas contratamos. Publica um edital, elas vão concorrer, R$ 10 mil pra cada uma por mês pra elas poderem existir. Pro mestre não ter que cortar cana, pro maestro da orquestra de frevo não ter que ser condutor de transporte escolar de segunda a sexta. Nada contra essas profissões, mas eu quero preservar a identidade, a garantia e o trabalho de quem é expoente da nossa cultura. No final do ano, vai dar R$ 48 milhões. A contrapartida é fazer um ensaio aberto na rua por mês, pode ser no seu território ou intercambiando com outros brinquedos que estão em outros territórios.”
O candidato continuou o raciocínio, explicando que a efetivação da proposta trará uma série de benefícios socioeconômicos para a população pernambucana de todas as regiões do estado, preservando e divulgando a nossa cultura popular e, simultaneamente, gerando emprego e renda.
“Dados de bancos provam que a cada real que você coloca na cultura, esse real até 15 vezes em recursos pra população. A rua vai estar mais segura, a nossa cultura vai sobreviver, o turismo vai ser intensificado. É um ciclo virtuoso que a gente vai dar início aqui em Pernambuco, e não olhar pro nosso brinquedo da cultura popular apenas nos ciclos [festivos], aí a gente vai virar exemplo pro mundo todo!”



