A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta quinta-feira (24), pouco depois do início do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A retirada ocorreu junto com a saída de representantes de diversas outras delegações.
O gesto foi interpretado como uma manifestação de protesto contra as posições do governo israelense, especialmente em relação à guerra na Faixa de Gaza. A saída brasileira também repetiu o movimento realizado durante o discurso de Netanyahu no ano passado.
O primeiro-ministro israelense foi recebido no plenário com uma combinação de vaias e aplausos. Diante da saída de representantes de diferentes países, Netanyahu afirmou, em tom crítico: “Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora”.
A delegação brasileira era formada por integrantes da missão diplomática do país na ONU. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não estava no plenário no momento do discurso. Segundo a imprensa, ele participava de um evento relacionado à Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), organizado por Brasil, Jordânia e Espanha.
A retirada ocorreu dois dias depois do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral. Na ocasião, Lula criticou a atuação do governo Netanyahu na guerra em Gaza e defendeu a criação de um Estado palestino ao lado de Israel.
Durante sua fala, Netanyahu defendeu as ações de Israel contra o Irã e na Faixa de Gaza, rejeitou as acusações de genocídio e afirmou que o país atua em defesa de sua própria segurança. O primeiro-ministro também agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela parceria entre os dois países.
A saída do Brasil ocorreu em meio a uma movimentação mais ampla de delegações que deixaram o plenário durante o pronunciamento, transformando o início do discurso de Netanyahu em um dos momentos de maior tensão política da atual Assembleia Geral da ONU.




