Um grupo de 31 congressistas democratas dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (24), uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual acusa o governo de Donald Trump de adotar medidas que poderiam representar uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026. O documento é assinado por 30 deputados e pelo senador Bernie Sanders.
Os parlamentares afirmam estar preocupados com uma suposta atuação coordenada da administração Trump para pressionar instituições brasileiras e influenciar o ambiente político às vésperas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Eles pedem que Washington se comprometa publicamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a reconhecer o resultado certificado pelas urnas.
Entre os episódios citados estão as tarifas impostas a produtos brasileiros, sanções contra autoridades do país e a relação do governo americano com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A carta também menciona o encontro de Trump com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), realizado na Casa Branca.
Os congressistas relacionam ainda a reunião entre Trump e Flávio Bolsonaro à posterior decisão do Departamento de Estado de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Segundo o documento, Flávio teria solicitado a medida durante o encontro.
Outro ponto questionado é a tentativa de entrada no Brasil de dois funcionários do Departamento de Estado que, segundo os parlamentares, pretendiam levantar questionamentos sobre a segurança do sistema eletrônico de votação. O Itamaraty negou os vistos, e posteriormente o governo americano revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Ao final, os congressistas apresentaram sete questionamentos a Rubio, incluindo pedidos de esclarecimentos sobre as sanções aplicadas a autoridades brasileiras, a classificação do PCC e do CV e a revogação do visto da embaixadora. Também cobraram um compromisso de respeito ao processo eleitoral e ao resultado das urnas. O prazo dado para resposta é o fim de setembro/início de outubro, conforme diferentes relatos sobre a carta.
A manifestação ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. No Brasil, um relatório reservado da Abin já havia apontado risco de influência ou interferência externa nas eleições de 2026, incluindo ações atribuídas ao governo americano.
*As informações são do G1




