O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 8 mil casos confirmados e já se aproxima de 4 mil mortes. Dados mais recentes das autoridades de saúde do país apontam 8.067 infecções e 3.901 mortes até 26 de setembro, com uma taxa de letalidade de 48,4%.
A epidemia, declarada em 15 de maio, é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do Ebola. O surto já atingiu 63 zonas de saúde distribuídas por sete das 26 províncias congolesas, ampliando a preocupação das autoridades com a expansão da doença.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação é agravada pela dificuldade de identificar os casos rapidamente e pelo acesso limitado ao atendimento médico. A organização informou que a elevada quantidade de mortes ocorridas nas próprias comunidades demonstra os desafios enfrentados para oferecer tratamento adequado em tempo hábil.
A atual epidemia já é considerada a maior e mais letal da história da República Democrática do Congo, superando o surto registrado entre 2018 e 2020. Em escala mundial, fica atrás apenas da epidemia que atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016, quando mais de 28,6 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.
Os números também refletem a pressão sobre o sistema de saúde. A escassez de profissionais e as dificuldades de acesso aos serviços médicos têm complicado a resposta à epidemia, enquanto informações falsas e a desconfiança da população em relação às medidas de prevenção também representam obstáculos para conter a transmissão.
A OMS aponta ainda que a expansão para novas áreas aumenta o risco de transmissão para países vizinhos. O organismo internacional registrou recentemente a chegada do surto a zonas de saúde próximas ao Sudão do Sul e reforçou a necessidade de ampliar a vigilância e a coordenação entre as regiões afetadas.
Diante do avanço da doença, autoridades congolesas e organizações internacionais seguem mobilizadas para ampliar a identificação de casos, o isolamento de pacientes e o atendimento às pessoas infectadas, enquanto tentam interromper as cadeias de transmissão.
*Com informações da Agência AE




