O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou ao vivo para o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um evento do governo federal em Belém (PA), na segunda-feira (28). O telefonema ocorreu momentos antes de Lula sancionar uma lei baseada em projeto apresentado por Dino quando ainda exercia mandato no Senado.
Durante a transmissão, Lula explicou que não queria sancionar a proposta sem antes conversar com o ministro. “Eu vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos”, afirmou o presidente. Em seguida, pediu que Dino desse um “alô” ao público paraense e explicasse o significado da proposta. A ligação, porém, acabou sendo interrompida antes que o ministro pudesse falar de forma audível.
A legislação cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela iniciativa privada. O objetivo é estabelecer mecanismos de acompanhamento e avaliação da qualidade dos serviços oferecidos por hospitais e demais unidades particulares de saúde.
O projeto foi apresentado por Dino após a morte de seu filho Marcelo, de 13 anos, em 2012, depois de uma crise de asma. A família questionou judicialmente o atendimento recebido pelo adolescente. Em 2024, quando ainda era senador, Dino apresentou a proposta que posteriormente foi aprovada pelo Congresso.
Ao falar sobre a sanção, Lula relacionou a nova legislação à experiência pessoal de Dino e afirmou que a medida busca garantir tratamento digno aos pacientes, independentemente da condição econômica.
A ligação ganhou repercussão no cenário político. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou publicamente a relação entre Lula e Dino, que atualmente integra o STF e foi indicado ao tribunal pelo próprio presidente em 2023.
“Ontem, Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?”, afirmou Flávio Bolsonaro.
O senador também relacionou o episódio ao debate sobre a composição futura do Supremo e às indicações que poderão ocorrer durante o próximo mandato presidencial.
A ligação ocorreu em um momento de novos embates envolvendo decisões de ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além da disputa eleitoral que antecede o primeiro turno das eleições de 2026.
*Com informações do Pleno News




