A lobista Roberta Luchsinger, que é investigada em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), teria destinado R$ 50 mil ao Partido dos Trabalhadores (PT) por meio da compra de ingressos para um jantar de arrecadação realizado em março de 2024. Segundo mensagens obtidas pelo Metrópoles, o pagamento foi feito por meio de contas de terceiros para evitar que a doação ficasse registrada em nome da lobista.
O jantar ocorreu em 20 de março de 2024, em Brasília, durante as comemorações pelos 44 anos do PT. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do evento, assim como a então presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, 11 ministros do governo, além de parlamentares da legenda. Roberta também esteve presente.
De acordo com as mensagens divulgadas, a compra dos ingressos teria sido articulada a pedido de Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que na época ocupava o cargo de número dois do Ministério da Saúde e atualmente é chefe de gabinete adjunto da Presidência da República.
Em uma conversa com Rogério Guedes, contato que mantinha relação com Berger, Roberta perguntou sobre os convites para o evento. “O Berger pediu para ver com vc sobre os convites do aniversário do PT. Qual o valor e onde mando fazer o pagamento?”, escreveu a lobista.
A resposta indicou que seriam dez ingressos de R$ 5 mil cada. “Serão as dez unidades de 5.000 reais?”, perguntou Guedes. “Isso”, respondeu Roberta.
Dias depois, a lobista questionou se poderia enviar o dinheiro para que outras pessoas realizassem a compra. Segundo a reportagem, Roberta justificou a estratégia dizendo: “Pq senão fica registrada doação, né?”. Em outro áudio, afirmou que estava adquirindo os ingressos para “apoiar a cota do Berger”.
Os pagamentos ao Diretório Nacional do PT teriam sido realizados por cinco pessoas diferentes. Foram dois Pix de R$ 10 mil, um de R$ 20 mil e outros dois de R$ 5 mil, totalizando os R$ 50 mil. Entre os responsáveis pelas transferências estavam o motorista de Roberta e a filha dela.
A reportagem também afirma que Roberta enviou os comprovantes das transferências para Rogério Guedes. Segundo as mensagens, ela informou ainda que os demais ingressos poderiam ser destinados a outras pessoas, já que apenas ela e seu então namorado, Gustavo Gaspar, compareceriam ao jantar.
O episódio ganhou repercussão após declarações recentes de Lula sobre a lobista. Em entrevista, o presidente chamou Roberta de “pilantra” e “Vorcaro feminino”, em referência ao empresário Daniel Vorcaro. Lula também afirmou não manter relação pessoal com ela.
Roberta Luchsinger é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. Em um dos inquéritos, a Polícia Federal apura movimentações financeiras da lobista e sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A defesa do filho do presidente nega irregularidades e já afirmou que as investigações estariam sendo utilizadas politicamente.
As informações sobre a doação ao PT foram divulgadas com base em mensagens e comprovantes obtidos pelo Metrópoles. O material aponta a utilização de terceiros nos pagamentos, mas a eventual existência de irregularidade na operação depende da apuração das autoridades.




