Um novo relatório de inteligência, que vazou para governos europeus, revelou um dado surpreendente sobre os recentes ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irã. Embora os bombardeios tenham causado sérios danos às centrífugas de enriquecimento de urânio, o estoque de urânio enriquecido, crucial para o programa nuclear do país, sobreviveu em grande parte à ofensiva. A informação foi publicada nesta quinta-feira (26) pelo jornal Financial Times, que citou fontes de governos europeus envolvidos nas investigações.
De acordo com o relatório, a grande quantidade de urânio enriquecido a 60% que estava armazenada na instalação de Fordow, um dos principais centros nucleares do Irã, não foi totalmente destruída pelos ataques. Em vez disso, foi dispersa e movida para outros locais antes dos bombardeios. O relatório revela que, especificamente, 408 quilos de urânio, que estavam em Fordow no momento da ofensiva, foram realocados para garantir que o material radioativo não fosse perdido.
Esse movimento não passou despercebido. Imagens de satélite capturaram o deslocamento de cerca de 20 caminhões em Fordow apenas dois dias antes do ataque aéreo, sugerindo que o Irã já havia tomado precauções para proteger seu estoque de urânio.
Embora os danos à instalação de Fordow tenham sido severos, com a destruição parcial das centrífugas, a avaliação das autoridades europeias indica que a instalação não foi completamente erradicada. Os danos foram significativos, mas insuficientes para comprometer a produção de urânio enriquecido de forma irreversível.
Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), expressou preocupação sobre a situação durante entrevista à Radio France Internationale. Segundo ele, as centrífugas que estavam operando na planta de Fordow “não estão mais operacionais”, embora os inspetores da AIEA ainda não tenham conseguido acessar diretamente a área atingida pelos bombardeios. Grossi afirmou que, embora as imagens de satélite sejam limitadas, os danos causados pelo poder dos ataques e as especificidades das instalações tornam evidente que as centrífugas não têm condições de continuar operando.
A situação ainda gera tensão diplomática. Em um episódio recente, Donald Trump, ex-presidente dos EUA, criticou a jornalista Natasha Bertrand, da CNN, por relatar o conteúdo do relatório de inteligência. Trump pediu sua demissão, acusando-a de veicular “fake news” e exigindo sua expulsão da emissora.
Esse novo cenário sobre o ataque ao Irã levanta questões sobre a eficácia das operações militares e a capacidade do país em manter seu programa nuclear ativo, apesar da pressão internacional e dos ataques militares. O mundo aguarda as próximas movimentações tanto do Irã quanto das potências internacionais, enquanto o jogo geopolítico se intensifica.
*Com informações da Agência EFE
