O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta um dos momentos mais delicados desde que assumiu o comando do governo britânico. A pressão interna dentro do Partido Trabalhista aumentou nesta quinta-feira após aliados do secretário de Saúde, Wes Streeting, indicarem que ele pode disputar a liderança da legenda.
Nos bastidores, parlamentares trabalhistas afirmam que Streeting já teria reunido apoio suficiente para lançar uma candidatura contra Starmer tanto na liderança partidária quanto no comando do governo. O movimento ocorre em meio ao desgaste político provocado pelo desempenho considerado ruim do partido nas recentes eleições locais e regionais realizadas no país.
A crise ganhou ainda mais força após declarações da ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, que afirmou que Starmer deveria “refletir” sobre sua permanência no cargo. Em entrevista ao jornal The Guardian, Rayner declarou estar pronta para participar de uma eventual disputa interna pela liderança trabalhista.
Sem pedir diretamente a renúncia do premiê, Angela Rayner afirmou que o Partido Trabalhista sofreu uma forte rejeição nas urnas e destacou a insatisfação crescente da população diante das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, especialmente relacionadas ao custo de vida e ao crescimento econômico.
Apesar da pressão, Starmer sinalizou que pretende permanecer no cargo. O primeiro-ministro alertou que uma disputa interna neste momento poderia gerar ainda mais instabilidade política em meio aos desafios econômicos e às tensões internacionais envolvendo conflitos no Oriente Médio.
O governo, no entanto, tentou reagir ao cenário negativo destacando indicadores econômicos positivos divulgados nesta semana. Dados oficiais apontaram crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto britânico no primeiro trimestre deste ano, resultado superior ao registrado no trimestre anterior.
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, afirmou que os números demonstram que as políticas econômicas do governo estão produzindo resultados e defendeu estabilidade política para manter o ritmo de recuperação.
Outro ponto considerado positivo pelo governo foi a melhora nos indicadores do National Health Service, conhecido como NHS. As filas de espera por consultas médicas registraram queda pelo quinto mês consecutivo, uma das principais bandeiras defendidas por Wes Streeting à frente da pasta da Saúde.
Pelas regras internas do Partido Trabalhista, qualquer candidato que deseje desafiar a liderança precisa reunir o apoio mínimo de 81 dos 403 deputados trabalhistas da Câmara dos Comuns. Além de Streeting, outros nomes também começam a circular nos bastidores políticos britânicos, entre eles o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham.
