O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu endurecer o tom contra o presidente russo, Vladimir Putin, e reduziu drasticamente o prazo dado para um acordo de cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia. “Dez ou doze dias, é isso. Não há razão para esperar”, declarou Trump nesta segunda-feira (28), durante coletiva no resort de Turnberry, na Escócia, ao lado do primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
A declaração marca um ponto de virada na postura pública do presidente americano sobre o conflito. Inicialmente, Trump havia concedido 50 dias para que Putin apresentasse um acordo de paz. No entanto, diante do que chamou de “falta de progresso” e “ataques contínuos após conversas diretas”, o republicano decidiu encurtar o prazo e endurecer o tom com o Kremlin. “Depois das nossas conversas, ele lança foguetes contra Kiev. Isso não é diálogo, é massacre”, afirmou.
Trump relatou ter tido quatro ou cinco conversas com o líder russo nos últimos meses e demonstrou frustração com a sequência de ofensivas após cada contato. “Putin ataca cidades, mata civis e deixa corpos espalhados. Ele age como se a diplomacia fosse apenas uma pausa estratégica”, disse o presidente dos EUA.
A reação do governo ucraniano foi imediata. O chefe do gabinete presidencial da Ucrânia, Andrii Yermak, agradeceu a Trump pela atitude firme. “Putin só respeita o poder. Essa é uma mensagem clara e necessária”, escreveu Yermak na rede social X (antigo Twitter), elogiando o gesto como “uma demonstração de liderança pela paz”.
Enquanto isso, as negociações entre russos e ucranianos, retomadas em 23 de julho em Istambul, permanecem em compasso de espera. O Kremlin informou nesta segunda que sugeriu a criação de grupos de trabalho virtuais, mas ainda aguarda resposta de Kiev.
Ao cortar o tempo de diálogo pela metade e colocar pressão pública sobre o líder russo, Trump amplia seu protagonismo em um dos conflitos mais delicados da geopolítica global. A mensagem é clara: o tempo da diplomacia paciente está acabando — e, com ele, a margem de manobra de Putin.
*Com informações da Agência EFE
