O Kremlin reagiu nesta terça-feira (29) ao ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabeleceu um prazo de 10 a 12 dias para um acordo pacífico no conflito da Ucrânia, afirmando que a Rússia continuará a guerra. Dmitry Peskov, porta-voz presidencial russo, declarou que Moscou “tomou nota” das declarações de Trump, mas que a “operação militar especial continua”.
Peskov evitou comentar a declaração do presidente americano de que não pretende mais conversar com Vladimir Putin, com quem Trump manteve seis conversas telefônicas desde janeiro. Segundo o porta-voz, uma cúpula entre os dois líderes “não está na agenda” no momento, embora a Rússia continue a apoiar negociações de paz visando garantir seus interesses nacionais.
O Kremlin reconheceu uma desaceleração nas negociações diplomáticas, com reuniões bilaterais suspensas desde junho. Trump, durante visita à Escócia, justificou a redução do prazo para o acordo devido à falta de progresso, ameaçando Moscou com sanções adicionais. O presidente americano manifestou decepção com Putin, afirmando que após várias conversas o líder russo ordenou ataques a cidades como Kiev.
Em resposta, Dmitri Medvedev, vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, criticou Trump, alertando que cada ultimato é um passo rumo a um conflito mais amplo, não entre Rússia e Ucrânia, mas envolvendo os próprios Estados Unidos. Medvedev ressaltou que a Rússia não é Israel ou Irã e demonstrou desprezo pelos prazos impostos por Trump, reiterando que o país “não se importa” com os ultimatos.
Desde 23 de julho, Rússia e Ucrânia retomaram as negociações em Istambul, após meses sem avanços, mas ainda sem alcançar nenhum acordo político concreto, repetindo o impasse das rodadas anteriores realizadas em maio e junho.
*Com informações da Agência EFE
