O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro. A medida, segundo Rubio, está relacionada ao programa Mais Médicos, política criada no governo Dilma Rousseff para ampliar a presença de profissionais da saúde em regiões carentes do Brasil e que contou com participação expressiva de médicos cubanos.
Mozart se torna a primeira autoridade do governo Lula a ter o visto cassado pela administração de Donald Trump, em meio ao acirramento de tensões políticas envolvendo processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até então, apenas ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República e familiares haviam sido alvo de sanções semelhantes. Integrantes do governo brasileiro temem que novas revogações atinjam outros nomes de alto escalão.
A embaixada dos EUA no Brasil apoiou a decisão, afirmando que o programa representou um “golpe diplomático inadmissível” de missões médicas estrangeiras e acusando ex-integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) de cumplicidade em um esquema de “exportação de trabalho forçado” pelo regime cubano. Kleiman, atualmente coordenador para a COP-30 na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, atuou anteriormente no Ministério da Saúde e na OPAS, intermediando contratações de médicos cubanos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu nas redes sociais, dizendo que o Mais Médicos resistirá a “ataques injustificáveis”. O Itamaraty, por sua vez, afirmou que não comentará o caso no momento.
A medida foi celebrada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está em Washington para reuniões com autoridades do governo Trump. Em nota, ele disse que a sanção reforça o compromisso dos EUA em punir regimes autoritários, comparando o governo cubano à gestão de Lula e à atuação do ministro Alexandre de Moraes.
Criado em 2013, o Mais Médicos buscou suprir a carência de atendimento básico, especialmente no interior do país e em periferias. Em seu auge, contou com cerca de 18 mil profissionais, quase metade cubanos. O programa foi esvaziado durante o governo Bolsonaro, após Cuba encerrar a parceria em 2018, mas foi retomado e ampliado em 2023. Hoje, são 26 mil médicos vinculados, sendo 22 mil brasileiros e 2.661 cubanos, segundo dados do Ministério da Saúde.
*Com informações da Agência AE
