O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta semana que não há evidências de conexão entre facções criminosas brasileiras e organizações classificadas como terroristas por outros países. A declaração foi dada durante sessão da CPI do Senado que investiga a atuação do crime organizado, após questionamento do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Segundo Andrei, nenhuma investigação conduzida pela PF confirma colaboração ou vínculo entre as duas estruturas. “Não basta alguém citar ou supor. Nas investigações, de maneira concreta, eu não vejo esse cenário”, afirmou. Mourão citou relatos de suposta presença de grupos internacionais na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, mas o diretor-geral reforçou que, quando os casos são aprofundados, o cenário “não se confirma”.
O chefe da PF também destacou que, em alguns casos, o discurso sobre terrorismo pode ser utilizado como “pressão geopolítica”, e que o Brasil não deve se submeter a agendas externas sem comprovação técnica. A fala ocorre em meio às ações dos Estados Unidos, que têm aumentado vigilância sobre a Tríplice Fronteira. O país ofereceu, em maio, uma recompensa de 10 milhões de dólares por informações que ajudem a interromper supostos mecanismos financeiros do Hezbollah na região.
Embora o Hezbollah não seja considerado uma organização terrorista pela ONU, é classificado como tal pelos EUA, Israel, Alemanha e Reino Unido. A presença americana na área deve aumentar após o Paraguai anunciar a instalação de um escritório do FBI para atuar no combate ao grupo.
Para a PF, no entanto, o foco permanece no crime organizado brasileiro — e não em conexões externas que, segundo Andrei Rodrigues, não encontram respaldo nas investigações.
*Com informações da Agência Brasil
