O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou, em 2025, a fatia do orçamento destinada à divulgação institucional da própria gestão, superando os recursos reservados para campanhas de utilidade pública. Segundo dados revelados pela Folha de S.Paulo, ações publicitárias que promovem programas, slogans e iniciativas do governo passaram a concentrar 57% de toda a verba de publicidade federal.
Já as campanhas de interesse público — como vacinação, regras do saque-aniversário do FGTS e orientações de serviços essenciais — ficaram com 43% do total. O contraste marca uma mudança em relação aos anos anteriores e ocorre justamente em um ano que antecede as eleições municipais de 2026.
O cenário difere do observado em 2017, durante o governo Michel Temer (MDB), quando 70% da verba publicitária era direcionada exclusivamente para campanhas de utilidade pública. No atual mandato, Lula havia mantido uma divisão equilibrada entre publicidade institucional e ações de interesse geral, mas decidiu alterar essa proporcionalidade a partir de 2025.
No total, as duas modalidades somaram R$ 1,54 bilhão. Desse montante, R$ 661,6 milhões foram repassados a ministérios para campanhas de orientação e interesse público. Outros R$ 876,8 milhões foram direcionados à comunicação institucional da Presidência, responsável por promover programas, realizações e políticas do governo.
A reestruturação do orçamento ocorreu no mesmo período em que Sidônio Palmeira assumiu o comando da Secretaria de Comunicação Social (Secom). Questionada, a Secom negou motivação política e afirmou que o objetivo da publicidade federal é garantir que a população tenha acesso às ações, serviços e entregas do governo. Segundo a pasta, campanhas de utilidade pública possuem caráter educativo, enquanto as de comunicação institucional divulgam direitos, serviços e políticas públicas oferecidas ao cidadão.
A mudança, no entanto, reacendeu o debate sobre priorização de recursos e a fronteira entre comunicação de governo e comunicação de Estado — especialmente em um ano que antecede disputas eleitorais.
*Com informações do Pleno News
