Uma disputa que se arrastava há anos envolvendo o legado do cantor Chorão (1970–2013) ganhou um novo capítulo decisivo. O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) concluiu que somente a empresa americana Peanuts Worldwide é titular da marca Charlie Brown Jr., o nome que levou a banda ao auge do rock nacional nos anos 1990 e início dos anos 2000. A decisão, tornada pública neste mês, retira da viúva, Graziela Gonçalves, e do filho do artista, Alexandre Abrão, qualquer direito de uso sobre o registro.
A briga em torno da marca vinha ganhando intensidade desde 2022, quando Alexandre afirmou ter obtido, em copropriedade com a Peanuts, o registro do nome da banda. Mas logo surgiram suspeitas: reportagens revelaram um documento de autorização considerado fraudulento, supostamente assinado por representantes da empresa americana. Posteriormente, a própria defesa de Alexandre admitiu que o documento era falso, alegando que o herdeiro teria sido vítima de um golpe praticado por alguém que se apresentou como representante da Peanuts — versão contestada por ex-integrantes do grupo, Marcão Britto e Thiago Castanho, que mantêm uma ação judicial contra ele.
No mesmo período, enquanto o pedido da Peanuts ainda tramitava no INPI, Graziela também conseguiu figurar no registro como coproprietária, compartilhando o título com o filho e com a empresa estrangeira. No entanto, esse cenário se desfez com a nova decisão do órgão, que reafirma: não é possível registrar um nome vinculado a obra protegida por direitos autorais sem a autorização do titular original.
A situação reacende a lembrança de que, durante toda a trajetória de sucesso à frente do Charlie Brown Jr., Chorão tentou diversas vezes garantir a titularidade da marca — sempre sem êxito. Em todas as investidas, o retorno era o mesmo: a Peanuts Worldwide não autorizava o uso compartilhado.
Agora, com a exclusividade do nome restituída à empresa americana, as equipes jurídicas de Alexandre e Graziela se reúnem para traçar os próximos passos. A tendência é que a decisão seja contestada, prolongando uma disputa que já atravessa mais de uma década desde a morte do cantor, vítima de overdose em 2013.
O conflito expõe não apenas questões legais, mas também a batalha emocional por um dos nomes mais emblemáticos da música brasileira recente — um legado que continua a despertar paixões, polêmicas e debates sobre direitos, memória e arte.