O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que não pretende disputar a Presidência da República nas próximas eleições, mesmo diante de um eventual pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi dada em entrevista à Jovem Pan de Sorocaba, na qual o governador foi direto ao responder que recusaria a possibilidade por entender que essa decisão faz parte de uma “linha de coerência” com o mandato que exerce atualmente.
Segundo Tarcísio, o tema já foi tratado pessoalmente com Bolsonaro durante uma visita realizada antes de o ex-presidente ser transferido para o regime fechado. Na ocasião, ao ser provocado sobre o cenário eleitoral nacional, ele deixou claro que sua intenção é permanecer à frente do governo paulista. Para o governador, a missão recebida dos eleitores de São Paulo deve ser cumprida até o fim, o que lhe traz tranquilidade quanto à escolha feita.
Durante a entrevista, Tarcísio também recorreu à fé para explicar a forma como conduz decisões políticas e pessoais. Ele afirmou ser profundamente religioso e disse enxergar suas escolhas como parte de uma confiança na vontade divina, o que, segundo ele, reforça a convicção de permanecer no cargo.
Na semana passada, o governador voltou a demonstrar alinhamento com Jair Bolsonaro ao afirmar que seu candidato à Presidência em 2026 é Flávio Bolsonaro. A jornalistas, Tarcísio declarou que mantém respeito e lealdade ao ex-presidente e que apoiará o nome indicado por ele, reforçando que essa posição não difere do discurso que vem adotando desde 2023. Para o governador, as especulações sobre uma eventual candidatura própria são naturais, dada a visibilidade de comandar o maior estado do país, mas não correspondem à sua intenção política.
Tarcísio também negou que deixará o governo paulista em abril e comentou o cancelamento de uma visita que faria a Jair Bolsonaro no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. O encontro, solicitado pelo próprio ex-presidente e inicialmente marcado para a última quinta-feira (22), foi adiado para o dia 29. A decisão chamou atenção pelo fato de o governador ter mantido a agenda vazia no dia previsto para a visita, o que gerou interpretações de desgaste na relação com a família Bolsonaro.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o governador ficou desconfortável com a pressão para declarar apoio público mais enfático à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Declarações recentes do senador e de aliados, sugerindo que Jair Bolsonaro cobraria esse posicionamento, teriam sido recebidas como um sinal de tensão. Mesmo diante do cenário, Tarcísio mantém o discurso de foco na gestão estadual e tenta se afastar das disputas que antecipam o debate presidencial.