Após décadas de tramitação, a Igreja de São Lourenço, localizada na comunidade de Povoação de São Lourenço foi finalmente reconhecida como patrimônio cultural do Brasil. O tombamento federal foi aprovado nesta terça (10) durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), realizada no Rio de Janeiro.
O reconhecimento nacional encerra um processo que se arrastava desde 1987, quando o então deputado federal Harlan Gadelha Filho solicitou oficialmente ao IPHAN a abertura do processo de tombamento do templo histórico. O procedimento administrativo, registrado sob o número 01458.000269/2013-11 e Processo de Tombamento Federal nº 1255-T-87, passou por diversas etapas técnicas até chegar à deliberação final.
A análise histórica que reforçou a importância do monumento foi consolidada em 2018 pelo historiador Romero de Oliveira e Silva Filho, do IPHAN-PE, com a colaboração do antropólogo Giorge Patrick Bessoni e Silva e da técnica Maria das Graças Carvalho Villas. O parecer técnico destacou a relevância histórica e cultural da igreja, recomendando oficialmente o tombamento federal.
Nos anos seguintes, o processo avançou com a atuação da equipe do Escritório Técnico e Casa do Patrimônio do IPHAN em Igarassu, responsável por cumprir exigências técnicas e administrativas encaminhadas pelo Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do instituto. A etapa final contou ainda com análise da Coordenação-Geral de Identificação e Reconhecimento do IPHAN, que encaminhou o processo para votação do Conselho Consultivo.
Construída por jesuítas por volta de 1555, a Igreja de São Lourenço é um dos exemplares mais antigos da arquitetura religiosa no Brasil. O templo segue o estilo Maneirista, característico do período de transição entre o Renascimento e o Barroco, predominante entre os séculos XVI e início do XVII. Igrejas desse modelo foram erguidas pelos jesuítas em várias partes do mundo durante o período colonial.
Além de sua relevância histórica e arquitetônica, o templo permanece preservado no distrito de Tejucupapo e pertence à Diocese de Nazaré. Com o tombamento federal, a igreja passa a integrar oficialmente o conjunto de bens protegidos pelo patrimônio cultural brasileiro, garantindo maior proteção e valorização de um dos marcos históricos mais importantes do município de Goiana e da história religiosa do país.
