A crise humanitária no Sudão do Sul atingiu níveis alarmantes. Segundo a ONG Save the Children, famílias e crianças estão sendo obrigadas a se alimentar de folhas, ninfeias e até sementes guardadas para o plantio diante da escassez de alimentos.
A situação é mais grave no estado de Jonglei, região marcada por confrontos entre forças ligadas ao presidente Salva Kiir e grupos aliados ao ex-vice-presidente Riek Machar, que atualmente está em prisão domiciliar. Em meio à violência, milhares de pessoas foram deslocadas e perderam o acesso a condições básicas de sobrevivência.
De acordo com a organização, mães percorrem longas distâncias por áreas alagadas em busca de qualquer alimento para os filhos. Muitas crianças, debilitadas pela fome, abandonaram a escola, enquanto outras foram forçadas a trabalhar ou até mesmo a se casar para ajudar suas famílias.
Dados recentes apontam que mais de 7,8 milhões de sul-sudaneses enfrentam insegurança alimentar aguda, e algumas regiões já estão próximas de um cenário de fome extrema. A chegada do período de chuvas aumenta ainda mais a preocupação, já que os conflitos também comprometem a produção de alimentos.
A Save the Children alerta que a redução da ajuda internacional tem agravado a crise em um dos países mais pobres e vulneráveis do mundo. O Sudão do Sul, que enfrentou uma guerra civil entre 2013 e 2018, ainda sofre as consequências de anos de violência, corrupção e instabilidade, que deixaram mais de 400 mil mortos e milhões de deslocados.
