Em meio ao debate crescente sobre os custos das festividades municipais, prefeitos de diversas regiões de Pernambuco decidiram adotar um novo parâmetro para contratação de artistas. Durante assembleia da Associação Municipalista de Pernambuco, realizada nesta terça-feira (17), foi aprovada a criação de um teto de R$ 350 mil para cachês em eventos públicos a partir de 2026.
A medida surge como uma tentativa de organizar os gastos sem retirar a autonomia das gestões municipais. De acordo com levantamento apresentado na reunião, a proposta conta com amplo respaldo: dos 149 prefeitos consultados, 143 se posicionaram favoravelmente à criação do limite como referência. Apesar disso, o valor não será obrigatório, funcionando como uma orientação para conter a escalada dos preços no mercado de shows.
Os dados revelados pela entidade mostram que, embora casos mais elevados chamem atenção, eles ainda são exceção. Em 2025, apenas 1% dos cachês ultrapassaram R$ 600 mil, enquanto a média praticada pelas prefeituras ficou entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. Ainda assim, a concorrência entre municípios tem sido apontada como um dos principais fatores que pressionam os valores para cima, alimentando uma disputa por atrações de maior apelo popular.
O então presidente da Amupe, Marcelo Gouveia, explicou que a proposta busca estabelecer equilíbrio. Segundo ele, a ideia é criar um freio para aumentos considerados excessivos, sem impedir que cidades com maior capacidade financeira realizem investimentos mais robustos em suas programações culturais.
A discussão ocorre sob o olhar atento do Ministério Público de Pernambuco, que vem acompanhando de perto os gastos com festividades. O órgão mantém uma plataforma pública de monitoramento, voltada à transparência e ao controle social, especialmente após a divulgação de casos em que municípios chegaram a investir mais de R$ 2 milhões em eventos.
Presente no encontro, o procurador-geral de Justiça José Paulo Cavalcante Xavier reforçou que o papel do Ministério Público é orientar, e não impor restrições. Segundo ele, situações específicas podem justificar valores acima do teto sugerido, desde que compatíveis com o porte do município e sua realidade financeira.
Além do limite para cachês, os prefeitos também aprovaram outra diretriz considerada estratégica: o reajuste dos valores pagos a artistas e dos orçamentos das festas deverá seguir apenas a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A avaliação é de que a medida pode ser ainda mais eficaz para conter aumentos desproporcionais ao longo do tempo.
Marcelo Gouveia destacou que, ao vincular os reajustes a um índice oficial de inflação, as prefeituras tendem a evitar distorções e garantir maior previsibilidade nos gastos. Para ele, o controle gradual pode ser mais eficiente do que medidas mais rígidas.
Durante a assembleia, também ficou definido que contratos já firmados ou em fase avançada de negociação serão respeitados, evitando prejuízos às gestões e aos artistas envolvidos. As novas regras passam a valer como orientação e poderão ser ajustadas futuramente, conforme a experiência prática dos municípios.
A decisão reflete um esforço coletivo para equilibrar tradição cultural e responsabilidade fiscal, em um estado onde festas populares movimentam a economia, atraem turistas e fazem parte da identidade local.
