A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado entra em uma fase decisiva nesta quarta-feira ao votar um conjunto de requerimentos que promete ampliar o alcance das investigações e atingir figuras de peso da política nacional e do sistema financeiro. No centro da ofensiva estão pedidos de quebra de sigilo que envolvem o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, além de uma série de convocações que avançam sobre o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A lista de possíveis convocados revela o peso político da investigação. Entre os nomes que podem ser chamados a depor estão o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e a ex-assessora da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Giselle dos Santos Carneiro da Silva. Também figuram entre os alvos o ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques, o ex-ministro da Cidadania Ronaldo Vieira Bento e o advogado Willer Tomaz.
O avanço da CPI não se limita ao campo político. A comissão também direciona sua atenção a empresas e estruturas financeiras consideradas estratégicas para o entendimento das operações investigadas. Companhias como Prime Aviation e Fraction 024 aparecem no radar, com a possível convocação de empresários e executivos ligados a essas organizações, incluindo Artur Martins de Figueiredo, João Gustavo Haenel Neto, Flavio Daniel Aguetoni, Thatiane Garcia Silva, Rodolfo Garcia da Costa e Marcus Vinicius da Mata.
No mesmo dia, a CPI colhe depoimentos considerados técnicos, mas fundamentais para a apuração. Entre os ouvidos estão Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Vladimir Timerman, fundador da gestora Esh Capital, apontada como participante de operações estruturadas no mercado financeiro.
Outro eixo importante da reunião envolve a análise de pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático, além do compartilhamento de dados por órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras e a Comissão de Valores Mobiliários. A lista de alvos é extensa e inclui, além de Guedes e Campos Neto, o ex-ministro João Roma, o próprio Willer Tomaz e nomes ligados às empresas investigadas.
Também entram no escopo da comissão pessoas físicas e jurídicas que, segundo os parlamentares, podem ajudar a esclarecer a engrenagem financeira por trás das operações suspeitas. Entre eles estão Letícia Caetano dos Reis, Ahmed Mohamad Oliveira e Francisco Craveiro de Carvalho Junior, além de fundos e empresas como Arleen FIP, Laguz FIDC, Clínica Mais Médicos S.A., A&M Consultoria Empresarial e Consult Inteligência Tributária.
Um dos pontos mais sensíveis em análise é o pedido direcionado à CVM para identificar os beneficiários finais de fundos ligados ao Banco Master e à REAG Investimentos. Integrantes da CPI avaliam que essa informação pode ser decisiva para revelar quem, de fato, está por trás das estruturas financeiras investigadas.
Com uma pauta robusta e potencial explosivo, a comissão avança sobre uma teia que conecta poder político e movimentações financeiras complexas, elevando a temperatura em Brasília e sinalizando que a investigação pode ganhar novos contornos nos próximos dias.
