Se a regra nos bastidores era deixar o secretariado comer o peixe da Semana Santa antes das mudanças, na saúde de Goiana a exceção veio com pressa — e sem direito a ceia. O agora ex-secretário André Mandarine, marido da vice-prefeita Lícia Maciel, sequer chegou à mesa: caiu antes do feriado e abriu espaço justamente para o retorno dela ao comando da pasta.
A informação, que ainda circulava nos corredores como “anúncio a ser feito”, foi escancarada pelo vereador Ibson Gouveia durante discurso na tribuna da Câmara Municipal nesta terça-feira (31). E não foi uma fala qualquer — foi praticamente um spoiler institucional.
Segundo Ibson, a movimentação começou em uma reunião com a própria vice-prefeita, quando foi levantada a possibilidade de retorno ao cargo que ela já ocupou anteriormente. “Já que deu certo a sua condução na saúde quando foi secretária, que ela voltasse ao cargo. Não desprezando o atual secretário, mas que voltasse a encabeçar a secretaria aquela que deu certo na pasta”, relatou. Até aí, bastidor. Mas o roteiro ganhou contornos oficiais quando, segundo ele, a própria Lícia chamou o prefeito para a conversa e resolveu encerrar o suspense: “ela anuncia que será a nova secretária de saúde”.
Nos bastidores, a leitura é direta: enquanto outros secretários ainda aguardam a Semana Santa para saber se ficam ou saem, Mandarine não teve nem esse “direito litúrgico”. Sai antes, sem peixe, sem cerimônia e com a cadeira já ocupada antes mesmo do anúncio formal.
Ibson, ao mesmo tempo em que revelou a troca, tratou de desejar boa sorte à nova titular e deixou claro o tamanho da expectativa: “que a saúde volte a sorrir para a nossa população, porque o povo merece uma saúde de melhor qualidade”. Traduzindo o clima político: mais do que uma simples troca de nomes, a gestão aposta numa reviravolta no jogo com uma atacante que já mostrou a que veio.
No fim das contas, a Semana Santa em Goiana ganhou um capítulo extra. Enquanto alguns ainda aguardam o destino entre o peixe e a exoneração, na saúde o script foi mais curto: não teve última ceia — só a troca direta de comando
