Em meio a tensões recentes no cenário político pernambucano, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), sinalizou que ainda há espaço para articulações e construção de alianças visando as eleições de outubro. Mesmo após declarações duras do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), que afirmou não querer mais diálogo, o gestor afirmou não enxergar “janelas fechadas” na política.
A fala ocorreu durante a inauguração de uma creche no bairro do Pina, na Zona Sul da capital, onde João Campos adotou um tom conciliador e reforçou a importância da construção coletiva. Segundo ele, o período até as convenções partidárias ainda permitirá conversas e ajustes estratégicos. O prefeito destacou que seu objetivo é formar uma frente política sólida, capaz de representar um projeto de fortalecimento para Pernambuco.
O clima de tensão se intensificou nas últimas semanas após a consolidação da federação entre União Brasil e Progressistas. À frente da articulação em Pernambuco, Eduardo da Fonte demonstrou insatisfação com o prefeito recifense e chegou a descartar qualquer possibilidade de diálogo. O impasse ganhou novos contornos quando o parlamentar indicou aproximação com a governadora Raquel Lyra (PSDB), o que provocou uma reação imediata no cenário estadual.
Como desdobramento, integrantes ligados ao PP foram exonerados de cargos no governo estadual, marcando um reposicionamento político claro. Na sequência, o União Brasil oficializou apoio à governadora, fortalecendo o grupo e projetando o nome de Miguel Coelho como uma das apostas para o Senado.
Apesar do cenário de disputas e reconfigurações, João Campos mantém o discurso de diálogo aberto, apostando na construção de uma ampla aliança até o prazo final das convenções. A estratégia indica que, mesmo diante de ruídos e rompimentos recentes, o prefeito pretende seguir articulando nos bastidores para consolidar um campo político competitivo e alinhado com seu projeto para o estado.
