O patrimônio imobiliário do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, registrou um crescimento expressivo desde sua entrada na Corte, em 2017. Levantamento realizado pelo O Estado de S. Paulo aponta que os bens do magistrado e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, aumentaram 266% no período, alcançando atualmente 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões.
Quando foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer, o casal possuía 12 propriedades, somando R$ 8,6 milhões. Desde então, novos imóveis foram adquiridos principalmente em São Paulo e Brasília, todos pagos à vista, conforme registros cartoriais analisados pela reportagem.
Nos últimos cinco anos, o volume investido em imóveis chegou a R$ 23,4 milhões, o que representa a maior parte dos aportes feitos pela família ao longo de quase três décadas. Entre as aquisições mais recentes está uma mansão de alto padrão no Lago Sul, área nobre de Brasília, comprada em 2025 por R$ 12 milhões. Já em 2026, o casal adquiriu um apartamento no bairro do Jardim Paulista, em São Paulo, por R$ 1,05 milhão, quitado integralmente por meio de transferências bancárias.
De acordo com o levantamento, boa parte das compras foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa ligada à família e responsável pela administração dos bens. Embora Moraes não figure formalmente como sócio, o patrimônio é considerado compartilhado em razão do regime de comunhão parcial de bens com sua esposa, que divide a sociedade com os filhos do casal.
A evolução patrimonial ocorre paralelamente ao crescimento do escritório Barci de Moraes Advogados, comandado por Viviane, que ampliou sua atuação em Brasília e adquiriu uma sala comercial neste ano. O escritório também passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de um contrato firmado com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões. Segundo a banca, os serviços prestados entre 2024 e 2025 envolveram consultoria em compliance e direito criminal, com remuneração mensal de R$ 3,6 milhões.
Procurados pela reportagem para comentar os dados, Moraes e Viviane não se manifestaram. O caso levanta debates sobre transparência patrimonial e a relação entre atividades privadas e funções públicas, especialmente em um dos mais altos cargos do Judiciário brasileiro.
