O Supremo Tribunal Federal condenou o empresário catarinense Alcides Hahn a 14 anos de prisão em regime fechado por participação indireta nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A decisão, proferida no início de março, considera que o envio de R$ 500 contribuiu para o fretamento de um ônibus que levou manifestantes de Blumenau até a capital federal.
Hahn foi responsabilizado por uma série de crimes, incluindo abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio público tombado e associação criminosa. O caso integra o conjunto de julgamentos relacionados à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, episódio que marcou a crise institucional no início de 2023.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o empresário não agiu sozinho no financiamento da viagem. Outros dois homens também foram condenados por contribuírem com valores maiores: Rene Afonso Mahnke, que transferiu R$ 1.000, e Vilamir Valmor Romanoski, apontado como liderança local ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria enviado R$ 10 mil.
Durante o processo, Hahn afirmou que realizou a transferência a pedido de um conhecido, sem saber que o dinheiro seria utilizado para custear a viagem a Brasília. Segundo seu relato, tratava-se de um empréstimo, sem qualquer informação sobre o destino ou finalidade do valor. Já o proprietário da empresa de ônibus declarou que associou automaticamente o pagamento ao fretamento do veículo ao identificar a movimentação financeira.
A defesa do empresário sustenta que não há provas de que ele tinha conhecimento da finalidade do repasse ou de eventual envolvimento em atos ilícitos. Um recurso chegou a ser apresentado, mas foi retirado de pauta antes de julgamento, mantendo, por ora, a condenação definida pela Corte.
O caso reacende o debate sobre a responsabilização de financiadores dos atos de 8 de janeiro e sinaliza o rigor adotado pelo Supremo em processos que envolvem a sustentação logística das manifestações que culminaram na invasão das sedes dos Poderes.
