O rompimento entre o prefeito de Goiana, Marcílio Régio, e o ex-prefeito Eduardo Honório deixou de ser apenas assunto de bastidor e ganhou contornos oficiais. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (6), Marcílio não apenas confirmou o afastamento político como também anunciou sua desfiliação do Progressistas, partido pelo qual foi eleito, aprofundando ainda mais a crise no grupo que comandava a cidade.
Na nota, o prefeito adota um tom firme e direto ao justificar a decisão, afirmando que mantém coerência com sua trajetória política. “Quem me conhece sabe que, ao longo de 40 anos de vida pública, sempre honrei compromissos”, escreveu, sinalizando, ainda que sem citar nomes, que houve quebra de alinhamento dentro do grupo. A declaração dialoga diretamente com o que já vinha sendo ventilado nos bastidores: o rompimento teria sido motivado por descumprimento de acordos políticos previamente firmados.
Segundo apuração, havia um entendimento consolidado desde a eleição suplementar de 2025 de que o grupo seguiria unido em torno de um projeto comum para 2026, incluindo definição conjunta de apoios. Esse arranjo, no entanto, teria sido desfeito quando Eduardo Honório passou a se movimentar politicamente fora do que havia sido combinado, gesto interpretado por aliados de Marcílio como quebra de palavra.
A própria nota reforça esse pano de fundo ao mencionar que a decisão sobre os apoios para 2026 já havia sido “conhecida há muitos meses” e deveria ser acompanhada por aqueles que integram o grupo político. O recado, ainda que indireto, é claro: houve quem não seguisse o roteiro.
Nos bastidores, a leitura é ainda mais direta. “Ele tomou uma decisão pra manter coerência. Teve acordo que deixou de ser respeitado”, afirmou um aliado do prefeito, reforçando a versão de que o rompimento não foi pontual, mas resultado de um desgaste acumulado.
Marcílio também endurece o discurso ao afirmar que não se sente contemplado por determinados projetos políticos e cita, de forma explícita, a federação União Progressista — que inclui o Progressistas — como estando desalinhada com o que defende para o município. A crítica amplia o alcance do rompimento, que deixa de ser apenas pessoal e passa a atingir também o campo partidário.
Do outro lado, aliados de Honório tentam reduzir a gravidade do movimento e negam que tenha havido quebra de compromisso. “Não existe acordo que impeça alguém de disputar. O que houve foi uma decisão política legítima”, afirmou um interlocutor próximo ao ex-prefeito, indicando que a disputa agora tende a se dar de forma aberta.
A saída de Marcílio do partido e o endurecimento público do discurso consolidam o que já era tratado internamente como inevitável: a aliança política que sustentou o grupo em Goiana chegou ao fim. Mais do que isso, abre-se agora um novo cenário de disputa direta, sem qualquer tentativa de conciliação aparente.
Se antes o rompimento era tratado em voz baixa, a nota oficial mudou o tom. E, desta vez, não deixou margem para dúvida: o racha é definitivo — e já começou a produzir efeitos.
