Documentos apresentados à Receita Federal revelam que o Banco Master destinou valores expressivos a serviços jurídicos em 2025, com destaque para os repasses ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. Segundo o material, obtido pelo jornal O Globo, a banca recebeu R$ 40,1 milhões no período — montante significativamente superior ao destinado a outros escritórios contratados pela instituição.
Ao todo, o banco, que pertence ao empresário Daniel Vorcaro, contratou 61 escritórios de advocacia, somando um custo de R$ 265 milhões. Ainda assim, os valores pagos ao escritório de Viviane Barci chamam atenção por superarem em cerca de R$ 13 milhões o segundo maior contrato registrado. Em média, as demais bancas receberam aproximadamente R$ 3,7 milhões cada, evidenciando a disparidade nos pagamentos.
Como base de comparação, o escritório Rueda Advogados Associados, ligado ao dirigente partidário Antônio Rueda, recebeu cerca de R$ 1 milhão no mesmo período. Em nota, Rueda detalhou a realização de dezenas de pareceres, centenas de reuniões e mais de mil audiências, além de milhares de protocolos e acordos firmados. Ainda assim, o valor pago ao escritório de Viviane Barci foi dezenas de vezes maior.
As cifras elevadas passaram a ser questionadas no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cujo relator, o senador Alessandro Vieira, afirmou que os serviços descritos pela banca não parecem compatíveis com os valores apontados nos documentos fiscais. Segundo ele, há indícios de desproporção entre a atuação relatada e os recursos recebidos.
O contrato entre o banco e o escritório foi firmado em 2024 e previa pagamentos que poderiam alcançar R$ 129 milhões ao longo de três anos. Informações divulgadas anteriormente indicam ainda uma remuneração mensal de cerca de R$ 3,6 milhões. Em resposta, a defesa de Viviane Barci afirmou não reconhecer os dados divulgados e ressaltou o caráter sigiloso das informações fiscais.
O caso ganhou novos desdobramentos após a revelação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, envolvendo suposta comunicação com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O magistrado, no entanto, negou qualquer envolvimento, classificando as informações como falsas.
A repercussão do episódio amplia o debate sobre transparência em contratos de prestação de serviços jurídicos e pode trazer novos desdobramentos tanto no campo político quanto no jurídico, à medida que investigações avançam e mais detalhes vêm à tona.
