O advogado Daniel Monteiro, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro e atuante em negociações envolvendo o Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de pagamentos ilícitos, fraude em operações financeiras e tentativa de ocultação de recursos em transações ligadas ao Banco de Brasília (BRB).
Segundo a PF, o advogado é investigado por atuar como operador jurídico e financeiro em um suposto esquema voltado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, com movimentações estruturadas para mascarar a origem e o destino de recursos durante tratativas de negócios entre instituições financeiras.
De acordo com os investigadores, Daniel Monteiro teria desempenhado papel central na estruturação jurídica de operações envolvendo o Banco Master, incluindo negociações com o BRB. Ele é apontado como responsável por dar suporte formal a transações consideradas sensíveis, que poderiam ser questionadas internamente pelos órgãos de controle das instituições envolvidas.
A apuração indica ainda que o esquema investigado utilizava fundos, empresas intermediárias e diferentes camadas de transações financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro. Nesse modelo, ações e ativos circulavam entre entidades ligadas ao próprio Banco Master e pessoas próximas aos operadores do suposto esquema, criando sucessivas etapas de compra, venda e empréstimos entre empresas.
Os investigadores afirmam que essa engenharia financeira teria como objetivo ocultar o real beneficiário dos recursos e dar aparência de legalidade às operações. Nesse contexto, o advogado é descrito como uma figura-chave na sustentação jurídica das transações, sendo tratado como um dos responsáveis por viabilizar formalmente operações que integravam o arranjo investigado.
A investigação também se baseia em auditorias que apontam suspeitas de irregularidades em gestões anteriores relacionadas às negociações entre o Banco Master e o BRB, incluindo indícios de movimentações atípicas e estruturas financeiras consideradas complexas demais para operações convencionais do setor.
As prisões foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o processo tramita sob sigilo. A Polícia Federal segue analisando documentos, contratos e movimentações bancárias para identificar todos os envolvidos e detalhar o fluxo dos recursos investigados.
