A Polícia Federal apontou o senador Ciro Nogueira como o suposto “destinatário central” de vantagens indevidas investigadas na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7). A informação consta em relatório da corporação citado na decisão judicial que autorizou mandados de busca e apreensão relacionados ao caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a investigação, a PF suspeita que o parlamentar teria utilizado o mandato para atuar em favor de interesses privados ligados à instituição financeira. Os investigadores afirmam que a relação entre Ciro Nogueira e Vorcaro envolveria benefícios recorrentes, incluindo pagamentos mensais, quitação de despesas pessoais, uso de bens de alto valor e até negociações societárias com descontos considerados incomuns.
O relatório também menciona indícios de repasses em dinheiro vivo. Um dos principais pontos da apuração envolve uma emenda apresentada pelo senador à Proposta de Emenda à Constituição que trata da autonomia financeira do Banco Central. A proposta buscava ampliar a autonomia técnica, administrativa, operacional e orçamentária da instituição.
De acordo com a Polícia Federal, a emenda apresentada por Ciro Nogueira previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para os investigadores, a medida beneficiaria diretamente o Banco Master, que utilizava uma estratégia agressiva de captação de investimentos por meio de CDBs protegidos pelo fundo.
A PF sustenta que o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do próprio banco. Segundo os autos, o documento foi enviado previamente a Daniel Vorcaro e depois entregue ao senador em um envelope na residência dele. A corporação afirma ainda que a versão protocolada no Senado reproduziu integralmente o conteúdo encaminhado pela instituição financeira.
Entre os elementos citados na investigação está uma troca de mensagens atribuída ao empresário, na qual ele comemoraria a apresentação da proposta no Congresso. Em outra conversa mencionada na decisão judicial, Vorcaro teria afirmado que o texto “saiu exatamente” da forma como havia sido enviado ao parlamentar.
A investigação também apura outros possíveis episódios de atuação legislativa alinhada aos interesses privados do banco. Até o momento, nem Ciro Nogueira nem sua defesa haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações apontadas pela Polícia Federal.
