O Democracia Cristã oficializou neste sábado a pré-candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da sigla, João Caldas, que classificou o ex-ministro como um nome capaz de promover união nacional e restaurar a confiança da população nas instituições brasileiras.
Em nota divulgada pelo partido, João Caldas afirmou que o momento político do país exige “união, propósito e desprendimento”, além de defender que o Brasil deve estar acima de projetos individuais. A legenda também convocou a sociedade a apoiar o que chamou de “candidatura de reconstrução nacional”.
A confirmação do nome de Joaquim Barbosa ocorre pouco mais de um mês após sua filiação ao partido, em abril deste ano, e marca uma reviravolta nos planos do DC. Até então, a sigla vinha trabalhando a pré-candidatura do ex-ministro e ex-deputado federal Aldo Rebelo ao Palácio do Planalto.
Nos bastidores, dirigentes da legenda avaliam que a chegada de Joaquim Barbosa pode ampliar a visibilidade nacional do partido, que atualmente não possui representação no Congresso Nacional e, por isso, enfrenta limitações no acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.
A aposta da sigla está centrada no histórico do ex-ministro no Judiciário e na imagem construída ao longo do julgamento do Mensalão, caso que projetou Joaquim Barbosa nacionalmente. Em 2003, ele se tornou o primeiro ministro negro da história do Supremo Tribunal Federal e presidiu a Corte entre 2012 e 2014.
A movimentação, no entanto, abriu uma crise interna dentro do Democracia Cristã. Horas antes da oficialização de Barbosa, Aldo Rebelo utilizou as redes sociais para afirmar que sua pré-candidatura continua mantida e que havia recebido convite formal e compromisso da direção nacional do partido.
Em tom crítico, o ex-parlamentar classificou o lançamento de Joaquim Barbosa como uma “afronta” às relações políticas construídas com transparência e criticou decisões tomadas, segundo ele, por grupos específicos dentro da legenda. Rebelo também ressaltou sua trajetória política e experiência administrativa, afirmando que sua candidatura representa um projeto coletivo de desenvolvimento nacional.
A direção do partido ainda não informou qual será o espaço ocupado por Aldo Rebelo na estrutura partidária após a definição do novo pré-candidato. A expectativa é de que a cúpula da legenda se reúna nos próximos dias para tentar conter os desgastes internos e reorganizar a estratégia eleitoral para 2026.
Embora seja lembrado há anos como possível nome para disputas presidenciais, esta não é a primeira incursão de Joaquim Barbosa no cenário político-partidário. Em 2018, ele chegou a se filiar ao Partido Socialista Brasileiro com intenção de disputar a Presidência da República, mas desistiu da candidatura poucos meses depois, alegando motivos pessoais.
