O confronto judicial que colocou frente a frente Elon Musk e os fundadores da OpenAI se aproxima de um desfecho histórico no Vale do Silício. Depois de três semanas de depoimentos intensos, trocas de acusações e revelações sobre os bastidores da criação da empresa responsável pelo ChatGPT, o júri deve iniciar nesta segunda-feira (18) as deliberações do processo que pode redefinir o futuro da indústria da inteligência artificial.
A ação movida por Musk gira em torno da transformação da OpenAI, criada originalmente como uma organização sem fins lucrativos, em uma gigante avaliada em centenas de bilhões de dólares. Durante o julgamento, o bilionário tentou convencer os jurados de que foi traído por antigos aliados após investir dinheiro, influência e conhecimento na fundação da empresa.
Em um dos momentos mais marcantes do processo, Musk afirmou ter sido “ingênuo” ao confiar nos parceiros. Segundo ele, foi responsável por idealizar o projeto, reunir os principais nomes da equipe inicial e bancar os primeiros passos financeiros da organização. O empresário declarou ter colocado cerca de US$ 38 milhões na iniciativa sem exigir participação proporcional no futuro negócio, algo que hoje considera um erro diante da valorização da companhia.
O clima ficou tenso em diversos momentos do depoimento do dono da SpaceX. Musk demonstrou irritação ao acusar os advogados da OpenAI de tentarem conduzir perguntas com o objetivo de colocá-lo em contradição diante do júri.
Do outro lado, Sam Altman respondeu às acusações adotando uma postura mais contida, mas não deixou de rebater diretamente o antigo parceiro. Durante seu depoimento, Altman revelou que Musk teria tentado assumir controle quase total da empresa em 2017, exigindo cerca de 90% das ações e poder decisório concentrado. Segundo o executivo, os fundadores se recusaram a aceitar a proposta por acreditarem que o desenvolvimento da inteligência artificial geral não deveria ficar nas mãos de uma única pessoa.
As sessões também trouxeram à tona registros pessoais de Greg Brockman, outro cofundador da companhia. Anotações feitas por ele anos atrás passaram a ocupar papel central no tribunal. Em trechos destacados pelos advogados de Musk, Brockman mencionava planos para transformar a OpenAI em uma empresa lucrativa e até afastar o bilionário da estrutura da organização.
Apesar do constrangimento provocado pelos registros, Brockman afirmou não se arrepender do conteúdo escrito nos cadernos. O executivo ainda relatou um episódio de tensão envolvendo Musk em 2017, dizendo ter acreditado, na época, que o empresário poderia agredi-lo fisicamente durante uma discussão.
Outro depoimento que despertou atenção foi o de Shivon Zilis, ligada tanto a Musk quanto à OpenAI. Mãe de quatro filhos do empresário, Zilis foi questionada sobre sua atuação dentro da companhia e sobre o grau de proximidade que mantinha com os dois lados do conflito. Suas respostas curtas e carregadas de ironia aumentaram a curiosidade em torno de seu papel nos bastidores da disputa.
As mensagens trocadas entre Zilis, Musk e Altman podem se tornar decisivas para o resultado do processo. Os advogados da OpenAI tentam demonstrar que Musk já sabia, muito antes de 2023, que a empresa caminhava para um modelo mais comercial e lucrativo. Caso o júri aceite essa tese, a ação do bilionário poderá ser rejeitada antes mesmo da análise final das acusações principais.
O julgamento é visto como um divisor de águas para o setor de inteligência artificial, não apenas pelo impacto financeiro envolvido, mas também porque expõe as disputas de poder, dinheiro e controle tecnológico por trás de uma das revoluções mais importantes da atualidade.
