O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer duras críticas à Operação Lava Jato durante entrevista concedida ao programa Sem Censura, da TV Brasil, na última sexta-feira (22). Ao comentar os desdobramentos da investigação que marcou a política brasileira na última década, Lula classificou a operação como “a grande mentira do século XXI” e afirmou que a atuação de seus responsáveis causou danos significativos ao país.
Durante a entrevista, o presidente também direcionou críticas à cobertura da imprensa na época das investigações. Segundo ele, veículos de comunicação contribuíram para fortalecer a imagem do então juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol, figuras centrais da operação. Lula declarou que, apesar da ampla repercussão das acusações, não houve comprovação dos crimes que lhe foram atribuídos.
O chefe do Executivo também questionou os impactos econômicos da Lava Jato sobre grandes empresas brasileiras investigadas durante o processo. Na avaliação dele, as ações conduzidas à época acabaram contribuindo para a fragilização de companhias que empregavam milhares de trabalhadores. Lula argumentou que eventuais responsáveis por irregularidades deveriam ser punidos individualmente, sem comprometer a continuidade das atividades empresariais e dos empregos.
A Operação Lava Jato foi iniciada em 2014 por investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, envolvendo denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro ligadas à Petrobras, empreiteiras e agentes políticos. Lula chegou a ser preso em 2018 em decorrência de um dos processos da operação, mas as condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que identificou irregularidades na condução dos casos.
Além de comentar o passado recente da política nacional, o presidente aproveitou a entrevista para defender uma maior participação da população, especialmente dos jovens, na vida pública. Segundo Lula, a descrença nos políticos não deve afastar os cidadãos do debate democrático. Para ele, mesmo diante da insatisfação com a classe política, é fundamental que novas gerações se envolvam no processo político para promover mudanças e fortalecer a representação da sociedade.
