A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo trouxe de volta um assunto que há anos movimenta os bastidores do futebol nacional: a relação entre o ministro do STF, Gilmar Mendes, seu filho Francisco Schertel Mendes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O tema voltou a ganhar repercussão depois que Gilmar publicou uma mensagem nas redes sociais agradecendo aos jogadores pela campanha, defendendo a permanência do técnico Carlo Ancelotti e homenageando Neymar. A manifestação reacendeu discussões sobre a crescente influência de Francisco na estrutura da entidade.
Embora seja vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol, Francisco é apontado nos bastidores como um dos principais articuladores da atual gestão da CBF. Ele integra o Comitê Disciplinar da FIFA, participa de projetos estratégicos e atua nas discussões sobre a criação de uma liga nacional de clubes e na implantação do chamado fair play financeiro.
A proximidade entre a família Mendes e a CBF ganhou força em 2023, quando a entidade firmou um contrato de dez anos com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes. Pelo acordo, o instituto assumiu a administração da CBF Academy, responsável pela formação de profissionais do futebol.
Outro ponto que alimentou o debate foram as decisões de Gilmar Mendes em processos envolvendo a CBF. Em 2024, o ministro autorizou o retorno de Ednaldo Rodrigues à presidência da confederação. Já em 2025, diante de suspeitas sobre um acordo que sustentava Ednaldo no cargo, determinou que o caso fosse analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decisão que culminou no afastamento do dirigente e na convocação de novas eleições.
Com a chegada de Samir Xaud à presidência da CBF, Francisco Mendes ampliou seu espaço na entidade. Segundo reportagem do UOL, ele passou a exercer papel de destaque nas mudanças administrativas e já é citado por dirigentes como um possível candidato à presidência da confederação em uma futura sucessão.
