Os Estados Unidos sinalizaram ao governo brasileiro que uma eventual redução do tarifaço imposto aos produtos do Brasil dependerá de concessões comerciais por parte do país. A nova taxação está prevista para entrar em vigor em 22 de julho e amplia a pressão sobre as negociações entre Brasília e Washington.
Entre as exigências apresentadas pelos americanos estaria a redução a zero de tarifas aplicadas a empresas dos Estados Unidos em setores como indústria, química, aviação e automóveis. Também entraram nas discussões o fim da tarifa brasileira sobre o etanol, questões relacionadas à regulamentação das plataformas digitais e a inclusão do Pix nas negociações bilaterais.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, integrantes do governo classificaram as condições como “indignas” e “inaceitáveis”. A avaliação é de que aceitar o conjunto de exigências poderia provocar impactos econômicos superiores aos prejuízos causados pelas próprias tarifas americanas.
Estimativas iniciais do governo apontam que as novas taxas podem atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
O impasse também alimentou a disputa política interna. Enquanto setores da oposição responsabilizam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela condução das negociações, integrantes do Planalto atribuem às medidas americanas motivações políticas e ideológicas.
Desde o anúncio das primeiras tarifas, a diplomacia brasileira realizou mais de 30 contatos com autoridades dos Estados Unidos, envolvendo reuniões presenciais, videoconferências e conversas telefônicas.
Apesar da avaliação de que o espaço para um acordo permanece limitado, o governo brasileiro pretende manter as negociações na tentativa de reduzir as tarifas e minimizar os impactos sobre empresas e setores exportadores atingidos pela medida.
*Com informações do G1
